
A administradora de empresas Joana Mourão relatou à Polícia Federal que Manoel Rodrigues, conhecido como Manolo Dom e apontado pela polícia como miliciano, foi à casa dela no fim de abril para tratar de valores e contratos que seu irmão, Luiz Phillipi Mourão, o Sicário, teria a receber. Segundo o relato, Rodrigues agia como enviado de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Com informações de O Globo.
Joana é irmã de Sicário, que morreu 45 dias antes da visita em circunstâncias consideradas polêmicas na sede da Polícia Federal em Minas Gerais. A reportagem de Lauro Jardim afirma que ele chefiava uma gangue formada para executar “serviços sujos” ligados ao ex-banqueiro.
No depoimento, Joana disse que Rodrigues a procurou “com o objetivo de intermediar uma solução acerca das pendências”. Ela identificou as pendências como “valores e contratos que o seu irmão teria a receber”.
Rodrigues teria dito que Henrique Vorcaro o enviou para dar um “cala boca” à família, numa referência a Joana e à mãe dela, que procuravam Vorcaro para cobrar os contratos e a parte que Sicário teria direito.

Promessa de intermediação não resultou em pagamento
Conforme o depoimento prestado à PF, Manolo Dom afirmou que conversaria com Henrique Vorcaro depois de ouvir a família. “Agora que eu entendi o lado de vocês eu vou conversar com o Henrique e vou intermediar uma solução”, teria declarado.
Joana Mourão declarou, porém, que não recebeu valores após a visita e a promessa de intermediação. O relato integra um depoimento ainda inédito citado pela coluna.
A polícia aponta Manoel Rodrigues como bicheiro, miliciano e líder do chamado “núcleo violento” ligado a Vorcaro. Ele está preso desde maio, mas, segundo a apuração, atuava para a família.
Henrique Vorcaro aparece no relato como o homem que teria determinado a ida de Rodrigues à casa de Joana. A visita ocorreu cerca de um mês e meio após a morte de Sicário na sede da PF mineira.