Plataforma ligada à campanha de Flávio enviou fake news contra Lula no WhatsApp

Direita Já, plataforma digital do PL, compartilhou ao menos dez conteúdos desinformativos
Imagem: Reprodução

A plataforma Direita Já, ligada ao PL e usada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), enviou ao menos dez conteúdos desinformativos contra o presidente Lula (PT) a grupos de WhatsApp e pediu que eleitores os compartilhassem. A divulgação de informações sabidamente falsas sobre candidatos durante a campanha é proibida pela legislação eleitoral. Com informações de UOL.

O monitoramento de um grupo da plataforma, realizado desde 27 de setembro, encontrou conteúdos com falas de Lula retiradas de contexto e alegações falsas sobre o presidente. Entre elas está a afirmação de que o petista seria o “pai das bets”, embora as apostas tenham sido liberadas no governo de Michel Temer e reguladas na gestão Lula.

A Direita Já criou pelo menos 900 grupos de WhatsApp para distribuir materiais eleitorais, segundo o levantamento. Considerando cerca de 900 participantes por grupo, o alcance potencial dos envios chega a aproximadamente 810 mil pessoas.

Os materiais incluíam uma chamada para que os integrantes ampliassem a circulação das mensagens. A apuração localizou cortes enganosos de declarações de Lula sobre garis, religião e exames preventivos de toque, que também circularam em Facebook, Instagram, Threads e X.

Flávio Bolsonaro em retrato
O senador Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

Partidos pedem investigação da plataforma do PL

A federação formada por PT, PV e PCdoB pediu à Justiça Eleitoral, em agosto, uma investigação sobre a Direita Já. A representação aponta a possibilidade de uso de recursos do Fundo Partidário para financiar o compartilhamento de conteúdos falsos.

A plataforma também disponibilizou materiais sem a identificação obrigatória para conteúdos produzidos com inteligência artificial, conforme investigações da Agência Lupa. A assessoria de Flávio Bolsonaro não respondeu ao contato até a publicação da reportagem.

No mesmo período, a plataforma Pode Espalhar, usada pela campanha de Lula, compartilhou um conteúdo desinformativo. A publicação dizia que o PL havia pedido ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a suspensão do reajuste do Bolsa Família, mas a ação partiu do deputado federal Zé do Trovão (PL-SC), e não do partido.

A campanha petista afirmou que Zé do Trovão e Flávio Bolsonaro pertencem à mesma sigla e disse que isso indicava “um alinhamento político para tentar suspender o reajuste do benefício”. Flávio classificou o reajuste como “ilegal”, mas declarou que não autorizou a iniciativa do deputado e, depois, afirmou que manterá o aumento se vencer a eleição.

O artigo 323 do Código Eleitoral pune a divulgação, na propaganda ou durante a campanha, de fatos que o responsável sabe serem inverídicos e que possam influenciar o eleitorado. O professor Fernando Neisser, da FGV-SP, afirmou que multas e remoção de conteúdo podem ocorrer sem processo criminal.

Uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral pode resultar em cassação ou inelegibilidade quando identifica abuso de poder econômico ou político e uso indevido dos meios de comunicação. Para o professor Ademar Costa Filho, da UnB, a existência de desinformação não leva automaticamente à cassação, pois a Justiça também avalia a gravidade, o uso de dinheiro público e a proximidade da eleição.

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