Lula conclama jovens a entrarem na política: “Seja eu amanhã”

Ao final da entrevista ao Flow Podcast, na noite desta quinta-feira (1º), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirigiu uma mensagem especialmente aos jovens. Em vez de se afastarem da política por desconfiança ou desencanto, disse, eles deveriam participar diretamente da vida pública, disputar eleições, integrar partidos e atuar nas comunidades onde vivem.

O ponto de partida da fala foi justamente a insatisfação de parte da juventude com os políticos e as instituições. Lula questionou essa postura e propôs que o descontentamento fosse transformado em participação.

“Então, ao invés de você ficar chateado, desanimado, não acredita em ninguém, por que você não entra na política?”, perguntou.

Na sequência, o presidente apresentou diferentes formas de participação política, incluindo a candidatura a cargos eletivos e a atuação comunitária.

“O político honesto que você quer, está dentro de você, cara. Ao invés de você ficar protestando, entra na política. Seja candidato a alguma coisa. Participe de um partido político. Participe da comunidade do seu bairro. Não fique paralisado, não fique achando que ninguém presta.”

“A pessoa boa que você quer que eu seja, talvez seja você”

“A pessoa boa que você quer que eu seja, talvez seja você”, afirmou.

A partir daí, Lula estabeleceu uma relação entre sua própria trajetória e a experiência das novas gerações.

“Então, ao invés de ficar parado, seja eu. Seja eu amanhã, porque eu já fui você ontem.”

A frase resume o argumento apresentado pelo presidente: a juventude que hoje olha para a política com desconfiança pode, no futuro, ocupar os espaços políticos que considera necessários transformar.

Da rebeldia à participação

Lula também falou sobre a própria juventude para dizer que conhece a postura de contestação característica dessa fase da vida. Segundo ele, jovens podem chegar a uma visão segundo a qual nenhum político ou instituição merece confiança.

“Tem um cara com 16 anos, 17 anos, não acredita em nada, xinga todo mundo, todo mundo é ladrão, ninguém presta, não é assim?”, afirmou.

Em seguida, Lula disse que já passou por esse período de rebeldia: “Eu já fui rebelde. Eu aprendi.”

A mensagem, portanto, não foi apresentada como uma defesa de que os jovens simplesmente aceitem a política existente, mas como um convite para que participem dos espaços políticos e comunitários e disputem suas ideias dentro deles.

Educação como parte do futuro

O presidente também associou a participação juvenil à educação. Durante a entrevista, afirmou: “O país não tem saída se a gente não investir na educação.”

Nos minutos finais, depois de tratar de temas como economia, relações internacionais, educação e eleições, Lula deslocou o foco para uma questão geracional: quem está insatisfeito com a política pode também se tornar parte dela.

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