
A coordenação da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou para esta sexta (2), em São Paulo, uma reunião para definir a estratégia de um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O encontro deve tratar de agendas, propaganda eleitoral e negociações políticas para a etapa final da disputa.
O comando da candidatura à reeleição trabalha com a expectativa de que Lula termine o primeiro turno à frente de Flávio Bolsonaro, embora reconheça a possibilidade de uma diferença apertada. Pesquisa Datafolha divulgada na quinta (1º) apontou Lula com 42% das intenções de voto e o candidato do PL com 38%.
A equipe pretende iniciar a possível nova fase da campanha com uma sequência intensa de compromissos públicos, voltada à mobilização de apoiadores. Os coordenadores também devem discutir o tom das próximas peças de propaganda eleitoral.
Aliados da área política do governo acompanham as conversas com dirigentes de partidos de centro para preservar a neutralidade dessas siglas. Parte do Centrão tende a apoiar Flávio Bolsonaro em uma segunda rodada, mas lideranças partidárias esperam o resultado das urnas antes de formalizar posições.

Lula busca neutralidade de partidos de centro
Lula entrou diretamente nas tratativas para assegurar que as legendas não antecipassem um apoio no primeiro turno. Ele se reuniu com o presidente do Republicanos, Marcos Pereira (SP), e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), antes de o partido anunciar neutralidade.
O presidente também conversou com a deputada Renata Abreu (SP), presidente do Podemos, e com os líderes do União Brasil e do PP na Câmara, Pedro Lucas (MA) e Dr. Luizinho (RJ). Lula pediu que os partidos aguardassem uma nova rodada de diálogo com ele e a cúpula do PT antes de decidir sobre o segundo turno.
Um integrante da articulação política do governo avalia que Lula precisaria abrir vantagem de cerca de quatro pontos para dificultar uma adesão dessas siglas à candidatura de Flávio Bolsonaro. As disputas estaduais também podem interferir na decisão, pois dirigentes locais em estados favoráveis ao petista podem defender a neutralidade nacional em troca de apoio em eleições para governador.
A federação União Progressista agendou para 6 de outubro uma reunião para discutir um eventual apoio na disputa presidencial. A campanha de Lula ainda acompanha o diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sobre a votação da PEC que propõe o fim da escala de trabalho 6×1, medida vista por aliados como um ativo eleitoral do presidente.