Um rastro de problemas acompanha a vida do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL). Não é possível dizer que a suspeita sobre a mansão dele de R$ 6 milhões, em Brasília, seja novidade. Desde 2021, logo após a compra, o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) abriu um procedimento de investigação. Agora, na trilha do caso Master, a Polícia Federal (PF) entrou em cena para apurar as vantagens obtidas por Flávio para a aquisição do imóvel localizado na área nobre do Lago Sul.
Informações apontam que a mansão de Flávio tem cerca de 1.100 m² de área construída em um terreno de 2.400 m², com pisos e acabamentos em mármore de Carrara e Crema Marfil. O imóvel possui espaço gourmet com ampla varanda, churrasqueira e forno de pizza, academia, spa com aquecimento solar, sauna integrada à piscina, brinquedoteca e paisagismo com irrigação artificial. São quatro suítes, uma delas com banheira de hidromassagem, além de oito vagas de garagem, quatro cobertas e quatro descobertas.
Na época, o valor do imóvel correspondia a mais de três vezes o patrimônio que Flávio havia declarado nas eleições de 2018. Além disso, especialistas do mercado imobiliário levantaram dúvidas sobre o preço da mansão devido à sua magnitude, sendo que imóveis similares eram negociados na casa de R$ 10 milhões a R$ 15 milhões.
Mas o fato de momento é que a PF tem se aprofundado no inquérito para saber se o senador foi favorecido no financiamento de pouco mais da metade do imóvel, de acordo com o jornal O Globo.
As análises da PF utilizam relatórios de uma auditoria interna contratada pelo BRB. Dos R$ 6 milhões da mansão, R$ 3,1 milhões foram financiados pelo banco com uma taxa de juros de 3,71% ao ano, algo superamigável ao bolso, uma vez que fugia da média praticada pela instituição, que previa juros em cerca de 4,85%.
Leia mais: Site mostra escândalos e investigações envolvendo Flávio Bolsonaro
Mas como foi alcançado esse benefício para ser pago ao longo de 30 anos? A explicação pode passar pelo então presidente do banco, Paulo Henrique Costa, que hoje está preso na Papudinha por conta das fraudes entre o BRB e o banco Master, de Daniel Vorcaro.
Além do benefício atípico conquistado, o tabelião Allan Guerra, do 4º Ofício de Notas, Protestos, Registro Civil, Títulos e Documentos e Pessoas Jurídicas de Brazlândia (DF), levou pessoalmente o registro de compra para Flávio assinar, na própria mansão. E junto deles estava nada menos que Paulo Henrique Costa. Uma foto da formalização mostra os três e a esposa do senador, Fernanda.
A pergunta que fica é: quantos brasileiros tiveram tamanha camaradagem na compra de um imóvel?
Mas não para por aí. Nesta semana, mensagens de Alexandre Ferreira Dias Santini, ex-sócio de Flávio em uma loja de chocolates, revelaram inúmeras suspeitas contra o senador. Entre elas, a de uma relação com o advogado Alan Belaciano, que deu de presente ao senador equipamentos de academia que somavam quase R$ 90 mil e uma tevê de 75 polegadas para serem colocados na mansão, além de outros presentes, como um relógio Rolex de R$ 305 mil.

Com tantos mistérios sobre a mansão, fica até fácil observar que algo pode estar errado nesse lar bolsonarista. Porém, um fato ainda mais chamativo aconteceu. Flávio Bolsonaro não precisou dos 30 anos previstos para pagar o financiamento de R$ 3,1 milhões. Em apenas três anos, ele quitou o débito, mesmo com uma renda declarada de R$ 56 mil mensais. Ou seja, mesmo que não gastasse nada dessa renda e a dedicasse integralmente ao pagamento, algo improvável, ainda seriam necessários cerca de quatro anos e sete meses para quitar os R$ 3,1 milhões, sem considerar os juros do financiamento.