
O sociólogo Celso Rocha de Barros, colunista da Folha de S.Paulo, criticou nas redes sociais comentaristas que trataram o cancelamento do debate presidencial da TV Globo, na quinta-feira (1º), como uma grave crise institucional provocada pelo Judiciário. Para ele, as decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) não podem ser comparadas às ameaças de ruptura democrática que menciona ao falar do bolsonarismo.
O programa já seria realizado sem Lula (PT), que havia comunicado previamente sua ausência. A Globo pretendia manter no cenário o púlpito reservado ao presidente, mas a ministra Estela Aranha, do TSE, proibiu a exibição do espaço vazio e perguntas dirigidas ao candidato ausente. Gilmar Mendes, do STF, determinou posteriormente a inclusão de Renan Santos (Missão) no encontro.
Flávio Bolsonaro (PL) também desistiu de participar e alegou “censura imposta ao evento pelo TSE”. A publicação do senador ocorreu minutos antes de vir a público a decisão de Gilmar sobre Renan. Com Lula e Flávio fora e decisões judiciais alterando regras do programa, a Globo cancelou o debate.
Foi contra a interpretação de que o episódio representaria uma ofensiva autoritária dos tribunais que Celso reagiu. “Agora, você dizer que houve censura do STF, você recomendar votar em senador fascista que quer fechar o STF, você comparar, escrever editorialzinho babaquinha comparando o que o STF está fazendo com o que o Bolsonaro queria fazer se tivesse dado um golpe…”, afirmou.
O sociólogo considerou legítimas as decisões estratégicas de Lula e Flávio de não comparecer ao encontro, ainda que elas possam ser criticadas. Na avaliação dele, o problema foi transformar uma disputa sobre regras de um debate televisivo em sinal de ruptura institucional.
“Cara, eu torço para você ser um filho da puta, porque, se você não for, você é muito burro. Tudo isso só prova que você é muito, muito ruim na sua profissão, cara. Você não pode ser analista de política brasileira”, disparou.
Eu tô achando que o @NPTO assistiu a Globonews e ficou puto. Entendo. Tá difícil não se irritar com o nível da análise política.
A frase: “Torço para você ser um grande fdp porque, se não for, você é muito burro” serve para muita gente, mas desconfio que teve um alvo certo. pic.twitter.com/fad6Gis9X4
— Andrade (@AndradeRNegro2) October 2, 2026
Celso também cobrou que o contexto político seja levado em consideração nas análises sobre o episódio. No vídeo, ele mencionou a tentativa de golpe após a eleição de 2022 e afirmou que o Brasil enfrenta o que considera uma ameaça de interferência do governo de Donald Trump.
“Se você realmente olhou pra esse episódio e achou que isso é uma megacrise institucional que justifica você colocar as instituições brasileiras em questão enquanto o Trump está querendo se meter aqui, enquanto os bolsonaristas querem tentar outro golpe de Estado…”, declarou.
O colunista encerrou a crítica atacando diretamente a capacidade profissional de quem comparou as decisões judiciais às pretensões golpistas atribuídas ao grupo de Jair Bolsonaro. “Você não tem talento, você não deve continuar seguindo a profissão que está exercendo, porque o Brasil decididamente merece um nível de comentarista político melhor”.
A Globo afirmou que o cancelamento ocorreu diante das mudanças impostas por decisões judiciais e das ausências dos dois principais candidatos. Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) estavam entre os nomes previstos para participar.