Entenda a doença que matou Lito Sousa e compromete o cérebro rapidamente

Lito Sousa
O piloto de avião, dono do canal do Youtube “Aviões e Música”, Lito Sousa. Foto: Reprodução

A doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), que matou o especialista em aviação e influenciador Lito Sousa nesta quinta-feira (1º), provoca uma deterioração rápida e progressiva do cérebro. A condição está associada ao acúmulo de proteínas anormais e pode comprometer memória, visão, linguagem e movimentos. Criador do canal “Aviões e Músicas”, Lito morreu aos 59 anos, conforme anúncio da família.

O processo envolve uma proteína normalmente presente no organismo que, ao assumir uma estrutura anormal, passa a se acumular no cérebro. Essas proteínas alteradas, chamadas príons, estão ligadas à destruição do tecido cerebral, que adquire um aspecto esponjoso. Por isso, a DCJ integra o grupo das encefalopatias espongiformes transmissíveis. A evolução costuma ser muito mais acelerada do que a observada em outras demências, como o Alzheimer.

Segundo o Minsitério da Saúde, as manifestações possíveis da doença estão na perda de memória, mudanças de comportamento, tremores, dificuldade de coordenação, alterações visuais e espasmos musculares involuntários. Os sintomas variam e podem inicialmente se confundir com os de outras doenças neurológicas. Conforme o quadro avança, também podem surgir dificuldades de linguagem, distúrbios do sono e crises epilépticas.

Além disso, aproximadamente 85% dos casos no mundo correspondem à forma esporádica, cuja causa não é conhecida. Há também uma forma hereditária, relacionada a alterações genéticas, e outra adquirida acidentalmente em procedimentos médicos, por exposição a materiais contaminados. Essa última representa menos de 1% dos casos conhecidos.

Apesar da classificação como doença transmissível, não há evidência de contágio pelo ar ou pelo contato cotidiano com pacientes. Abraços, beijos e o compartilhamento de copos e utensílios não são apontados como vias de transmissão. O ministério esclarece que os familiares não apresentam risco maior apenas por conviver com a pessoa doente.

A prevenção se concentra, portanto, em situações específicas de exposição, sobretudo nos serviços de saúde. Como os príons resistem a métodos convencionais de desinfecção, instrumentos e procedimentos que possam entrar em contato com material contaminado exigem cuidados próprios de biossegurança, limpeza e esterilização.

Ainda não existe cura nem terapia comprovada capaz de interromper a progressão da DCJ. De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a doença pode levar à morte em meses após o início dos sintomas. O atendimento se concentra em aliviar o sofrimento, controlar manifestações da enfermidade e oferecer conforto ao paciente.

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