Queda na vacinação leva EUA ao pior surto de sarampo do século; 5 já morreram

Manchas causadas por sarampo. Foto: reprodução

Os Estados Unidos confirmaram a quinta morte por sarampo neste ano, em meio ao maior surto da doença no país desde sua eliminação, em 2000. A vítima não teve os dados divulgados e, assim como as quatro mortes anteriores, não havia recebido imunização.

O país já contabiliza mais de 3,6 mil casos em 2026, número 59% maior que o total registrado durante todo o ano passado, que já havia concentrado o pior cenário em décadas. Entre as vítimas fatais anteriores estão dois bebês e dois adultos.

Especialistas apontam que a redução sustentada da vacinação abriu espaço para a circulação do vírus, um dos mais contagiosos conhecidos. Para impedir surtos, a cobertura com duas doses da tríplice viral precisa superar 95%, patamar associado à imunidade coletiva.

Em 2011, 21 dos 44 estados que informaram dados ao CDC mantinham cobertura acima desse índice. Hoje, apenas 10 dos 49 estados avaliados atingem a marca, após uma queda acentuada a partir do período da pandemia de Covid-19.

Ampola da vacina contra o sarampo. Foto: reprodução

Crise causada pela queda na vacinação

O infectologista Peter Hotez, da National School of Tropical Medicine do Baylor College of Medicine, no Texas, afirmou que o movimento antivacinação alcançou comunidades inteiras. “Temos um extenso movimento antivacinação que abrange condados inteiros”, disse.

Uma estimativa baseada nos dados do CDC indica que ao menos 1,7 milhão de crianças ficaram sem a imunização completa contra o sarampo nos últimos anos. No atual ano letivo, a cobertura média entre crianças que ingressaram na pré-escola ficou em 92,5%, o que deixou quase 284 mil sem as duas doses recomendadas.

Os dados estaduais também podem ocultar áreas de maior risco. Hotez defende o acompanhamento por condado, pois estados com índices gerais elevados, como Califórnia e Novo México, reúnem bolsões de baixa imunização; a Pensilvânia, com cobertura de 92,7%, concentra mais de 700 casos e cinco mortes relatadas.

Donald Trump e o secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., relacionaram publicamente a tríplice viral ao autismo, hipótese sem respaldo científico. No Brasil, a cobertura completa também permanece abaixo de 80%, mas o país registrou 42 casos no ano e adotou ações de rastreamento e vacinação em áreas afetadas, como São Paulo.

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