
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não participar do debate da Globo e agendou uma entrevista para o podcast Flow na nesta quinta-feira (1°). O programa da emissora está previsto para as 21h30, enquanto a conversa no podcast irá ao ar às 20h45.
A ausência do presidente em um debate de primeiro turno tem precedentes em campanhas vitoriosas. Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1998, e Fernando Collor de Mello (PRN), em 1989, recusaram todos os debates da etapa inicial das eleições que venceram.
A campanha de Lula nega que a decisão represente uma fuga do confronto com os adversários. A equipe afirma que o presidente queria debater diretamente com o senador Flávio Bolsonaro (PL), mas avalia que os demais candidatos de direita atuariam como “muleta” ou “escada” contra o único nome de esquerda no encontro.
O próprio Lula também adotou a estratégia em 2006, quando buscava a reeleição. Apesar de não comparecer aos debates do primeiro turno, ele venceu a disputa nas urnas.

FHC citou crise econômica e Lula apontou ataques pessoais
Em 1998, a equipe de FHC sustentou que o então presidente precisava concentrar-se na gestão do país diante da crise econômica internacional, marcada pelos efeitos das crises asiática e russa sobre a estabilidade do Plano Real. A campanha também criticava a regra que previa a participação dos 12 candidatos à Presidência.
Em 2006, Lula enfrentava os efeitos políticos do escândalo do Mensalão. Em carta enviada à Globo, o presidente argumentou que sua presença transformaria o debate em uma “arena de ataques pessoais”, explicação que a emissora não aceitou e respondeu com uma cadeira vazia no cenário.
Collor liderava as pesquisas quando recusou debates no primeiro turno de 1989. Ele alegava que o formato televisivo não permitia apresentar propostas com profundidade e favoreceria ataques coordenados dos adversários contra quem liderava a corrida eleitoral.
Entre os candidatos que poderiam participar do debate atual, Pablo Marçal (PRTB) dizia que não atuaria como força auxiliar de ninguém. Depois que a Justiça negou seu registro de candidatura, porém, Flávio Bolsonaro anunciou que Marçal colaborará em sua campanha presidencial nas áreas de empreendedorismo e autonomia financeira das mulheres.