Marinha dos EUA quer trocar herói negro por Trump em homenagem; entenda

Donald Trump ao lado de navio da Marinha. Foto: Jim Watson/AFP

A Marinha dos Estados Unidos quer trocar o nome previsto para seu próximo porta-aviões nuclear, hoje associado ao marinheiro negro Doris Miller, pelo de Donald Trump. A hipótese ainda não recebeu confirmação oficial, mas provocou reação entre familiares do herói de Pearl Harbor morto durante a Segunda Guerra Mundial.

Sherri Miller, sobrinha do marinheiro, disse à NBC que a família ficaria decepcionada caso a corporação desistisse da homenagem anunciada. “Será muito frustrante se a Marinha não mantiver sua palavra, quando nos comunicaram que Doris Miller seria o homenageado”, afirmou.

O navio está em construção e tem lançamento previsto para 2034. Identificado como CVN-81, o porta-aviões havia recebido o nome de Doris Miller em cerimônia realizada há três anos, com participação de parentes do militar.

Se a mudança ocorrer, Trump se tornará o primeiro presidente dos Estados Unidos a ter o nome escolhido para um porta-aviões durante o próprio mandato. Ronald Reagan, George H. W. Bush, Gerald Ford, John Kennedy, Dwight Eisenhower e Theodore Roosevelt já deram nome a embarcações da classe, mas todos estavam fora da Presidência quando receberam a homenagem.

O herói Doris Miller. Foto: Divulgação/Marinha dos EUA

Doris Miller ganhou condecoração após ataque a Pearl Harbor

Doris Miller servia no encouraçado USS West Virginia em 7 de dezembro de 1941, quando aviões japoneses atacaram a base americana de Pearl Harbor, no Havaí. Naquele período, a Marinha restringia militares negros a funções como a de ajudante de lavanderia, cargo ocupado por ele.

Durante o ataque, Miller assumiu uma metralhadora depois da morte de seu operador, embora não tivesse treinamento formal em artilharia. Ele também ajudou a socorrer o comandante do USS West Virginia, ferido durante a ofensiva japonesa.

O marinheiro recebeu a Navy Cross por sua atuação e se tornou o primeiro homem negro a receber a condecoração. Miller morreu em novembro de 1943, aos 24 anos, quando o USS Liscome Bay, navio em que servia, sofreu um torpedeamento por submarino japonês.

Familiares de Miller também defendem que ele receba postumamente a Medalha de Honra, a mais alta distinção militar americana. Há rumores de que a condecoração e o nome de outro navio poderiam servir como compensação caso o porta-aviões passe a homenagear Trump, mas a Marinha dos EUA não se pronunciou sobre a possível alteração.

Artigo Anterior

Zema convidou Vorcaro para evento antes de chamá-lo de “banqueiro bandido”

Próximo Artigo

Ameaças fazem site do Pará desistir de cobrir eleição

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!