
O Brasil vai às urnas nos dias 4 e 25 de outubro para escolher o próximo presidente da República em uma eleição que, segundo um manifesto assinado por intelectuais, artistas, personalidades públicas e cidadãos, envolve também a preservação da democracia no país.
Segundo o jornal francês Le Monde, o texto faz um alerta à comunidade internacional e acusa os Estados Unidos de tentar influenciar a disputa presidencial com a “cumplicidade” do senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL).
Os signatários afirmam que a eleição brasileira tem consequências que ultrapassam as fronteiras do país. “O que estará em jogo no Brasil diz respeito a todos nós”, diz o documento, que apresenta a disputa eleitoral como uma escolha entre projetos distintos para a maior democracia da América Latina.
O manifesto recupera o período iniciado com a eleição de Jair Bolsonaro, em 2018. Segundo o documento, o Brasil passou por um governo que atacou instituições democráticas, enfrentou a pandemia de Covid-19 com uma gestão que resultou em centenas de milhares de mortes e terminou com uma tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral do então presidente, em 2022. O texto lembra que Bolsonaro foi condenado a mais de 27 anos de prisão pela tentativa de ruptura institucional.
O documento também cita as políticas adotadas entre 2019 e 2022 contra movimentos negros e indígenas, mulheres e pessoas LGBTQI+. Os autores lembram que a demarcação de terras indígenas foi paralisada no início do governo Bolsonaro e mencionam o avanço do desmatamento na Amazônia e o crescimento da violência contra diferentes grupos durante o período.

As agressões contra mulheres, incluindo feminicídios, e contra defensores do meio ambiente também aparecem no manifesto. Segundo os signatários, esses episódios colocaram o Brasil entre os países mais perigosos para integrantes desses grupos.
Impedido de disputar a Presidência devido à inelegibilidade e cumprindo pena de prisão, Jair Bolsonaro escolheu seu filho mais velho como sucessor político. Para os autores, a candidatura de Flávio Bolsonaro representa a continuidade do projeto conduzido pelo pai entre 2019 e 2022.
“A candidatura não é apenas mais uma entre as outras: é a continuidade assumida de um projeto cujo histórico em matéria de direitos humanos e de ataques à democracia está documentado e não deixa margem para ambiguidades”, afirma o manifesto.
O documento também critica o programa econômico defendido por Flávio Bolsonaro. Segundo os signatários, a plataforma está baseada em austeridade fiscal, redução da participação do Estado na economia, privatização de empresas públicas e diminuição de impostos.
Os autores sustentam que a redução da capacidade de investimento público e das políticas de redistribuição pode aumentar as desigualdades e a pobreza, atingindo principalmente as parcelas mais vulneráveis da população. O manifesto classifica o projeto econômico do candidato como “ultraliberal” e afirma que sua implementação representaria um retrocesso social.