Venezuelano baleado pelo ICE é denunciado por agressão a agente nos EUA

ICE
Agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) detém homem durante operação em Nova York (NY). Foto: Shannon Stapleton/Reuters

Promotores federais dos Estados Unidos denunciaram nesta terça-feira (29) Wilber Garces Perez, venezuelano de 28 anos baleado nas costas por um agente do ICE durante uma abordagem em Austin, no Texas. Ele é acusado de agredir um agente federal e pode receber pena de até 20 anos de prisão caso seja condenado.

Garces Perez trabalhava fazendo entregas de carro em 20 de setembro quando foi abordado por agentes de imigração. Segundo documentos judiciais, ele apresentou a carteira de motorista e inicialmente conversou em espanhol, em tom descrito como “amigável e não agressivo”, sobre onde estacionaria o veículo.

A versão da Promotoria é que, posteriormente, Garces Perez fechou a janela, arrancou com o carro e atingiu um agente com o retrovisor. Outro funcionário do ICE afirmou que o venezuelano tentou atropelá-lo, o que teria levado aos disparos. A Associated Press relata que o agente que efetuou o tiro não usava câmera corporal e que imagens do momento decisivo não foram divulgadas.

A defesa apresenta uma narrativa diferente. Garces Perez afirmou que seu carro foi atingido por um SUV descaracterizado e que tentava reposicionar o veículo quando ocorreu uma nova colisão. Logo depois, levou o tiro. Sua advogada, Kate Lincoln-Goldfinch, também afirma que o ferimento não recebeu tratamento adequado antes de o venezuelano ser interrogado.

Segundo a defesa, a bala permanece alojada no corpo de Garces Perez. Ele também relatou ter dormido no chão de um centro de detenção após ser baleado. O caso provocou críticas de políticos democratas do Texas e pedidos para que os disparos sejam submetidos a uma investigação independente. Em julho, o ICE havia suspendido a maioria das abordagens de veículos depois que agentes mataram dois imigrantes a tiros em operações nos Estados Unidos.

O venezuelano entrou nos Estados Unidos em 2024 e possuía autorização de trabalho, embora houvesse uma ordem de remoção contra ele. Ele permanece sob custódia enquanto a defesa tenta barrar a deportação e contesta a versão apresentada pelas autoridades sobre o episódio. O caso ocorre em meio à escalada das detenções de imigrantes promovida pelo governo Donald Trump.

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