“Pelas janelas, pelas portas, pelas frestas”, o sol invade a casa de Maiakóvski no do poema A extraordinária aventura vivida por Vladimir Maiakóvski no verão na Datcha, o poeta russo chega ao verso que atravessaria décadas: “gente é pra brilhar”. Quase meio século depois, em 1977, Caetano Veloso retomou a frase, no álbum Bicho, com uma condição: “gente é pra brilhar, não pra morrer de fome”.
Agora, “Gente” chega à nova peça da campanha do presidente Lula. O filme estreou nesta terça-feira (29), nas redes do presidente, com narração de Marieta Severo e histórias reais de brasileiros que tiveram suas trajetórias transformadas por políticas públicas. Uma versão editada será exibida no programa eleitoral.
A peça parte de vídeos gravados pelos próprios personagens para as redes sociais. Sem atores ou encenações, são eles que aparecem em cena e contam, com a própria voz, o que mudou em suas vidas. A campanha mantém o formato vertical e a linguagem dos relatos originais na construção do filme.
A narrativa chega até Samylla Ramos, que havia viralizado nas redes dias antes. Mãe de um adolescente de 16 anos, ela chamou atenção ao mostrar para o filho o que significava comer farinha com açúcar. O vídeo ultrapassou 1,7 milhão de visualizações e chegou a Lula, que comentou a publicação.
Na peça, a história de Samylla aparece associada ao aumento da renda da família e ao recorde de ocupação no país. Segundo o IBGE, o Brasil terminou 2025 com 103 milhões de pessoas ocupadas, o maior número da série histórica iniciada em 2012.
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Histórias de brasileiros dão rosto a políticas de educação, saúde, emprego e renda
O filme apresenta cada política a partir de um efeito concreto. O Enem aparece ligado à ampliação do acesso às universidades; o Pé-de-Meia, programa de incentivo financeiro para estudantes do ensino médio público, à redução de 60% no abandono escolar; o Mais Médicos, à expansão do atendimento e ao aumento do número de profissionais; e o Agora Tem Especialistas, criado para ampliar o acesso a consultas, exames e cirurgias, à marca de mais de 18 milhões de tratamentos realizados.
Com Maiakóvski, a esperança cresce ao longo do poema. Na mão de Caetano, “gente” ganha outra camada: brilhar é poder ocupar espaço, fazer planos, desejar mais. E as histórias reunidas no filme levam essa ideia de esperança e dignidade para o terreno concreto. Estudar, trabalhar, ter renda, chegar à universidade, conseguir atendimento de saúde: políticas públicas que não apenas respondem a necessidades imediatas, mas ampliam as condições para mudar de vida. No filme, desenvolvimento aparece menos como um indicador econômico do que como a possibilidade concreta de avançar.
Depois de percorrer essas histórias, Lula encerra o filme com uma frase que devolve a política ao lugar de onde a peça partiu: a vida das pessoas. “Eu gosto de gostar de gente. Por isso governo com o coração”, encerra o presidente.