
Três senadores democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, acusando o governo de Donald Trump de promover uma “campanha de interferência e desestabilização” no Brasil antes da eleição presidencial de 2026. Peter Welch, Tim Kaine e Jeanne Shaheen afirmam que as ações ameaçam a aliança estratégica entre os dois países e a democracia brasileira.
O documento questiona se o Departamento de Estado reconhecerá o resultado certificado da eleição brasileira e manterá relações diplomáticas normais com qualquer candidato escolhido “livre e justamente pelo povo brasileiro”. Kaine e Shaheen integram o Comitê de Relações Exteriores do Senado, e Shaheen é a principal democrata do colegiado.
Os parlamentares afirmam que autoridades americanas passaram a pressionar o Brasil durante o segundo mandato de Trump, citando tarifas e sanções impostas em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. A carta também menciona a redução anterior das tensões, após conversas descritas como diretas e cordiais entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo os senadores, a pressão voltou a crescer depois da nomeação de Darren Beattie para atuar como assessor sênior de assuntos relacionados ao Brasil no Departamento de Estado. Eles descrevem Beattie como extremista e supremacista branco e apontam declarações públicas que, na avaliação do grupo, defendem o enfraquecimento das instituições democráticas brasileiras em benefício da extrema direita.

Senadores citam tarifas e encontro de Trump com Flávio Bolsonaro
A carta também relaciona novas tarifas sobre produtos brasileiros a uma investigação aberta pelo Representante de Comércio dos Estados Unidos. Para Welch, Kaine e Shaheen, as medidas recentes indicam um esforço para interferir e possivelmente prejudicar a eleição geral brasileira marcada para outubro.
Como exemplo, os três senadores citam uma reunião entre Trump e o senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, no Salão Oval. O encontro ocorreu quando Flávio precisava responder a uma notícia negativa para sua campanha envolvendo pedidos de dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Os democratas contrastaram a postura atual de Washington com a eleição de 2022, quando os Estados Unidos reconheceram rapidamente a vitória de Lula. Na avaliação deles, aquela decisão reduziu espaço para iniciativas que buscavam contestar o resultado eleitoral.
O documento recorda ainda os ataques de 8 de janeiro de 2023 contra as sedes dos Três Poderes. Os senadores afirmam que os Estados Unidos apoiaram o governo Lula naquele momento e ajudaram a mobilizar países da região em defesa da Constituição de 1988 e das instituições brasileiras.
Na parte final, Kaine, Shaheen e Welch perguntam a Rubio como o Departamento de Estado coordena objetivos ligados à democracia e aos direitos humanos com parceiros do hemisfério, especialmente em assistência técnica e monitoramento de processos eleitorais e judiciais. Eles também citam eleições na Argentina, em Honduras e na Colômbia como parte de um padrão mais amplo da política do governo Trump para a América Latina.