
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, afirmou nesta segunda-feira (28), durante um comício de Lula (PT) em Belém, no Pará, que “o outro lado quer o fim da Padroeira do Brasil”. Segundo o Metrópoles, ela contrapôs a acusação à proibição das bets e pediu proteção contra “falsos adoradores de Deus”. A fala ocorre em meio à controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida; Flávio Bolsonaro (PL) nega qualquer intenção de retirar o título da santa.
“Enquanto a gente quer o fim das bets, o outro lado quer o fim da Padroeira do Brasil. Se dizem enviados de Deus, mas vivem às custas da fé das pessoas. Fé é coisa séria e deve ser respeitada, qualquer que seja a sua religião”, declarou Janja.
A primeira-dama também afirmou que a fé sustenta as pessoas e fez uma oração pelo presidente. “E que o manto de Nossa Senhora nos proteja de falsos adoradores de Deus, de falsos profetas da fé. Que Nossa Senhora ilumine os caminhos do presidente Lula e afaste ele de todo o mal e de toda a mentira”, disse.
A discussão recuperou um projeto apresentado em 2007 por Victório Galli, que posteriormente foi assessor especial no governo de Jair Bolsonaro. A proposta pretendia substituir a referência legal a “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos” e foi arquivada em 2008. O texto não é de autoria de Flávio Bolsonaro.
Nas redes sociais, a antiga proposta passou a circular junto de uma declaração do candidato do PL sobre decretar que o Brasil pertence a Jesus Cristo caso seja eleito. Essa fala não contém uma proposta de retirar o título de Aparecida. Flávio Bolsonaro classificou como falsa a associação de sua candidatura a essa intenção e acusou o PT de disseminá-la.
O ato em Belém ocorreu a seis dias do primeiro turno. Na véspera, durante entrevista à Band, Lula também havia defendido a permanência do título da santa e cobrado respeito entre as religiões. “Ela vai ser padroeira do Brasil porque o povo brasileiro quer e tem fé”, afirmou o presidente.