
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (27) que o governo identificou pessoas ligadas às bets que planejam transferir transmissões para Portugal após o avanço das medidas contra as apostas no Brasil. Ele disse que a mudança de país não impedirá novas ações contra o setor.
Em entrevista ao programa Canal Livre, da BandNews TV, Lula declarou: “Agora mesmo nós tomamos essa medida, alguns estão querendo ir para Portugal para transmitir de lá. Nós vamos para cima, porque dessa vez não vai acontecer”.
Meu Deus! O presidente Lula já tá sabendo que tem influenciadores brasileiros indo pra Portugal pra transmitir bets de lá e avisou que não vai dar trégua pra essa gente. pic.twitter.com/JrbDB1iKO1
— Bruno Guzzo® (@brunoguzzo) September 28, 2026
A fala ocorre enquanto influenciadores que divulgam plataformas de apostas cogitam ou anunciam a mudança para Portugal diante da ofensiva do governo. A transferência das transmissões busca manter a divulgação das casas de apostas fora do país.
Lula afirmou que o governo já agiu contra mais de mil bets ilegais. O presidente reconheceu que empresas e divulgadores conseguem reorganizar suas operações, mas disse que isso não fará o Executivo recuar das restrições.
Lula associa apostas a endividamento e ludopatia
O presidente afirmou que decidiu endurecer as ações porque pretende impedir que apostadores comprometam despesas básicas. “Eu não vou permitir que as mulheres e os homens gastem o dinheiro da comida das crianças jogando”, disse.
Lula voltou a tratar a ludopatia como um problema de saúde pública e apontou o endividamento provocado pelas apostas como uma das consequências da expansão das plataformas.
Na entrevista, o presidente disse que concluiu que a regulamentação das bets não bastava para enfrentar o problema. Ele relatou casos de pessoas que acumularam dívidas elevadas e mencionou tentativas de suicídio associadas à dependência do jogo.
O combate às bets ganhou espaço entre as bandeiras recentes do governo Lula e provocou reação nas redes sociais. O presidente também entrou em conflito com clubes de futebol que criticaram as restrições ao setor.