“Hoje só tem corrupto Nutella”: Porchat ironiza Bolsonaro e “Dark Horse”

Fábio Porchat Dark Horse
Fábio Porchat ironizou o caso “Dark Horse” em novo vídeo publicado nas redes. Foto: Reprodução/Instagram (@fabioporchat)

Fábio Porchat fez uma retrospectiva nada convencional da corrupção brasileira em um vídeo publicado nas redes sociais. O humorista chama os escândalos atuais de “corrupção Nutella”, compara novos métodos de desvio a casos históricos envolvendo políticos brasileiros e encerra a sequência de piadas mirando a família Bolsonaro e o filme “Dark Horse”.

“Hoje o filho da puta rouba aposentado pelo aplicativo do INSS. O que é isso? É corrupção home office agora?”, diz Porchat, antes de brincar que sente falta do “trabalho artesanal do desvio público”, com malas de dinheiro, doleiros e notas escondidas na cueca. A referência ocorre em meio às investigações sobre descontos indevidos em benefícios do INSS, que já levaram a operações da Polícia Federal e a apurações sobre associações ligadas a aposentados.

Na sequência, o humorista percorre personagens como Paulo Maluf, José Sarney, Antônio Carlos Magalhães, Orestes Quércia e Celso Pitta para construir a comparação entre a corrupção de outras décadas e esquemas atuais. “Hoje tem senador roubando em Bitcoin. Se eu falo a palavra ‘Bitcoin’ perto do Sarney, eu tomo um tapa na cara”, brinca. Em outro momento, diz que políticos antigos “não saíam de casa por menos de um viaduto”.

A família Bolsonaro aparece quando Porchat ironiza justamente um método antigo. “Por isso que eu admiro a família Bolsonaro, eles ainda têm o hábito de comprar casa com dinheiro vivo, é bonito de ver”, afirma em tom satírico. Levantamento de 2022 apontou que 51 dos 107 imóveis negociados pela família Bolsonaro haviam sido adquiridos total ou parcialmente com dinheiro em espécie.

O monólogo chega então a “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro que entrou no centro de investigações sobre seu financiamento. Porchat cita Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Mário Frias e transforma as suspeitas em material para a piada, chegando a dizer que, se era para fazer o filme, ao menos deveriam ter produzido “uma pornochanchada”. Fora do terreno da sátira, documentos apontam que Eduardo Bolsonaro atuou como produtor-executivo e participou da gestão financeira do projeto, enquanto Flávio Bolsonaro confirmou ter procurado Daniel Vorcaro para conseguir recursos para a produção.

As investigações sobre o longa avançaram após a descoberta de movimentações financeiras e versões divergentes sobre a origem e o destino do dinheiro. A Polícia Federal apura os recursos relacionados à produção, e as explicações dadas por Flávio Bolsonaro e outros envolvidos deixaram contradições sobre o financiamento. Eduardo Bolsonaro também admitiu ter colocado US$ 50 mil no projeto, enquanto Mário Frias aparece nos contratos como produtor-executivo.

Porchat fecha o trecho comparando até a produção cinematográfica ligada à família Bolsonaro com as pornochanchadas exibidas durante a ditadura. A sequência segue a linha de humor político que ele vem explorando também no projeto “Revelando Brasil”, cujo episódio recente sobre Banco Master, Igreja da Lagoinha e políticos ganhou milhões de visualizações.

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