Mendonça negou nova busca da PF contra Cláudio Castro

Plantão do ChatGPT

Há novidade material no núcleo Cláudio Castro–André Mendonça–Rioprevidência/Master. Documento revelado em 25 de setembro mostra que André Mendonça negou, em 15 de julho, uma segunda operação de busca e apreensão pedida pela PF contra Cláudio Castro, apesar de parecer favorável da PGR, e manteve esse procedimento sob sigilo mesmo após liberar dezenas de outros processos do caso Master.

O elemento novo é especialmente relevante porque a PF sustentava que Castro poderia estar utilizando outros endereços para ocultar provas. A corporação mencionou uma sala comercial no centro do Rio, onde teria sido observada movimentação atípica de caixas, e um imóvel em Petrópolis usado pelo ex-governador para lazer e eventos. Mendonça considerou não haver naquele momento “justa causa suficiente” para a nova medida.

A cronologia ajuda a dimensionar o episódio. Em 26 de maio, Mendonça autorizou a primeira operação contra Castro, no inquérito sobre os aportes do Rioprevidência no universo Master. Em 30 de maio, apenas quatro dias depois, a PF pediu novas buscas após observar a movimentação de caixas. Em 15 de julho, Mendonça negou esse pedido. Posteriormente, em 14 de agosto, o ministro acabou autorizando buscas no endereço que havia sido objeto da preocupação policial.

A PF já havia registrado internamente uma crítica ao tempo de tramitação: segundo documento divulgado anteriormente, pedidos contra Castro chegaram a levar 74 dias para análise, enquanto outro pedido de busca, contra Jaques Wagner, levou nove dias. Essa comparação é uma avaliação da própria PF e não demonstra favorecimento por Mendonça. O gabinete do ministro afirma que suas decisões são fundamentadas exclusivamente nos autos e lembra que ele próprio autorizou a operação de 26 de maio contra Castro.

O dado ganha importância quando cruzado com duas informações documentadas anteriormente. Primeiro, mensagens obtidas pela PF mostram que Castro procurou Mendonça diretamente em 11 de novembro de 2022, chamando-o de “amigo”, para falar com urgência sobre a situação judicial de Sérgio Cabral e encaminhando arquivos relativos ao caso; Mendonça respondeu e indicou que ligaria. O ministro afirma que não mantém relação de amizade com Castro e que o conheceu institucionalmente.

Segundo, no inquérito do Rioprevidência, a própria PF atribui importância à proximidade entre Castro e Daniel Vorcaro. A decisão que autorizou a primeira operação menciona R$ 3,69 bilhões em operações investigadas e encontros entre Castro e Vorcaro, inclusive no exterior, alguns temporalmente próximos à liberação de recursos do Rioprevidência. Castro nega interferência nos investimentos e relação pessoal indevida com Vorcaro.

Assim, a sequência documental que merece atenção passa a ser:

Castro ↔ Mendonça — contatos diretos desde pelo menos 2022;

Castro ↔ Vorcaro — encontros apontados pela PF;

Rioprevidência → universo Master — R$ 3,69 bilhões considerados na investigação;

26/5/2026: Mendonça autoriza busca contra Castro;

30/5: PF detecta possível deslocamento de provas e pede novas buscas;

15/7: Mendonça nega o novo pedido, apesar de parecer favorável da PGR;

14/8: buscas no endereço acabam autorizadas;

setembro: Mendonça abre dezenas de procedimentos do Master, mas mantém sob sigilo justamente o processo que contém a negativa de julho.

Isso não permite afirmar que Mendonça tenha protegido Castro. Mas acrescenta um fato verificável e jornalisticamente relevante ao eixo que estamos reconstruindo: houve uma divergência concreta PF/PGR × relator sobre a necessidade de novas buscas contra Castro, no momento em que os investigadores suspeitavam de movimentação de possíveis elementos de prova.

Documento e detalhes da decisão mantida sob sigilo, revelados pela Folha

Nesta rodada, não encontrei novidade de peso equivalente, posterior às últimas atualizações, nos braços Flávio Bolsonaro–Dark Horse ou Ciro Soares–Vorcaro.

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