Pastor autor de projeto contra Nossa Senhora Aparecida foi assessor de Bolsonaro

Jair Bolsonaro e Victório Galli (esq.), o autor do PL contra Nossa Senhora Aparecida

O ex-deputado federal Victório Galli Filho, de Mato Grosso, ocupou em 2019 o cargo de assessor especial da Presidência da República no governo Jair Bolsonaro. A nomeação ocorreu em fevereiro daquele ano, depois de Galli não conseguir se reeleger para a Câmara em 2018. À época, ele passou a receber remuneração de cerca de R$ 16,9 mil mensais.

Ele está concorrendo à Câmara dos Deputados novamente.

Pastor evangélico e integrante da bancada religiosa durante sua passagem pelo Congresso, Galli havia ficado conhecido também por um projeto apresentado em 2007 que pretendia alterar o status oficial de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.

O Projeto de Lei 2.623/2007 propunha substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Na justificativa, Galli argumentava que a mudança contribuiria para a “igualdade entre os cristãos brasileiros, sem privilégios à maioria de orientação cristã”. O projeto acabou arquivado em 2008.

Galli foi eleito deputado federal em 2014, com 104,2 mil votos, mas não conseguiu a reeleição em 2018. Antes disso, havia exercido o mandato como suplente em duas ocasiões. Em 2019, já fora do Congresso, passou a trabalhar no governo Bolsonaro.

Além do projeto relacionado a Nossa Senhora Aparecida, ele apresentou outra proposta indecente durante sua passagem pela Câmara. Em 2012, quando ainda era suplente, propôs mudanças no Código Penal relacionadas a manifestações feitas por pessoas que alegassem agir motivadas por crenças religiosas em discussões sobre orientação sexual. A proposta teve pouca tramitação e acabou arquivada.

Condenação e penhora de imóvel

Neste ano, a Justiça de Mato Grosso determinou a penhora de um imóvel registrado em nome de sua esposa para garantir o pagamento de uma condenação por danos morais coletivos.

A condenação decorre de uma ação civil pública movida pela Defensoria Pública de Mato Grosso em 2017. Em 2019, Galli foi condenado ao pagamento de R$ 100 mil por manifestações consideradas ofensivas contra a população LGBT. O valor não foi integralmente quitado.

A decisão mais recente autorizou a penhora do imóvel, além de novas pesquisas patrimoniais e buscas por valores em contas bancárias. A propriedade está registrada em nome da esposa de Galli, mas a juíza Célia Regina Vidotti considerou possível a medida em razão do regime de comunhão parcial de bens.

A Justiça também autorizou pesquisa patrimonial por meio do sistema SNIPER e nova tentativa de bloqueio de valores pelo SISBAJUD, após a apresentação do cálculo atualizado da dívida. Também foi autorizada a emissão de certidão para protesto da condenação.

Galli contestou publicamente a condenação e afirmou que recorreu da decisão. Em 2026, ele voltou a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados.

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