
O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) protocolou nesta quinta-feira (24) uma notícia de fato no Supremo Tribunal Federal para que seja investigada a viagem de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um jatinho ligado a Daniel Vorcaro. O parlamentar pede que o episódio seja incorporado ao inquérito que já apura o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro, segundo o Painel, da Folha de S.Paulo.
A representação pede especificamente que a Polícia Federal identifique quem solicitou e quem pagou o voo. Correia também quer que os investigadores verifiquem se o transporte teve alguma relação com as negociações para financiar o longa e apurem o papel do advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro e um dos cotistas da aeronave. Trata-se, até aqui, de um pedido apresentado ao STF, e não de uma conclusão de que o voo tenha configurado vantagem.
A viagem ocorreu em 19 de janeiro de 2025, de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, para Brasília. Flávio Bolsonaro estava com a mulher, as duas filhas e Willer Tomaz no Legacy 650 PP-NLR, aeronave que meses depois também transportou o ministro Alexandre de Moraes e a mulher, Viviane Barci. A Prime You, empresa que tinha Vorcaro entre seus sócios naquele período, já possuía participação na estrutura de propriedade do avião.
🚨URGENTE! Acionei o STF para investigar a viagem de Flávio Bolsonaro em um jato ligado a Daniel Vorcaro, na véspera do pagamento da primeira parcela do financiamento do filme Dark Horse.
No dia seguinte, Flávio cobrava agilidade no investimento. Poucos dias depois, Vorcaro… pic.twitter.com/QfRU56Xtow
— Rogério Correia 1️⃣3️⃣1️⃣3️⃣ (@RogerioCorreia_) September 24, 2026
Correia destaca uma coincidência temporal que pretende ver apurada: o voo ocorreu um dia antes do vencimento da primeira parcela prevista para o financiamento de “Dark Horse”, no valor de US$ 2 milhões. Flávio Bolsonaro já é formalmente investigado no STF no caso do financiamento do filme, procedimento que examina suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção relacionadas aos repasses. O novo pedido pretende incluir o deslocamento aéreo nessa linha de investigação.
Flávio Bolsonaro afirmou nesta quinta que acreditava que o avião pertencia a Willer Tomaz e ironizou a repercussão do caso. “Ainda bem que na época o avião era de Willer”, escreveu. Tomaz, por sua vez, declarou que os passageiros viajaram como seus convidados, sem custo, contrapartida ou benefício entre as partes. O advogado sustenta ainda que só soube posteriormente que Vorcaro havia adquirido participação na estrutura ligada à aeronave.
É justamente esse ponto que Correia pede para a PF esclarecer dentro do inquérito: quem efetivamente custeou o deslocamento, em que condições o avião foi disponibilizado e se houve alguma conexão entre a viagem e as tratativas financeiras de “Dark Horse”. A representação não prova essa relação; solicita que ela seja investigada a partir da cronologia do voo, do financiamento e dos vínculos empresariais envolvendo a aeronave.