Democratas dos EUA acusam governo Trump de interferência nas eleições brasileiras

Um grupo de 31 parlamentares democratas do Congresso dos Estados Unidos acusou a administração de Donald Trump de promover uma tentativa de interferência nas eleições brasileiras.

Em carta enviada ao secretário de Estado, Marco Rubio, os congressistas afirmam que medidas adotadas pelo governo norte-americano podem enfraquecer instituições democráticas do Brasil e comprometer a confiança no processo eleitoral.

A carta é assinada por 30 integrantes da Câmara dos Representantes e pelo senador Bernie Sanders. Os parlamentares afirmam que existe uma “aparente tentativa de interferir e potencialmente minar” as eleições brasileiras e relacionam a acusação a uma série de medidas tomadas pela administração Trump.

Na avaliação dos democratas, as ações do governo Trump fazem parte de um padrão mais amplo de atuação norte-americana em processos eleitorais recentes na América Latina. Eles citam também as eleições legislativas argentinas e as disputas presidenciais em Honduras e na Colômbia.

Tarifas e pressão sobre o Brasil

De acordo com o jornal britânico The Guardian, os parlamentares relacionaram à suposta interferência as medidas comerciais adotadas pelo governo Trump contra o Brasil.

Segundo a carta, Trump teria deixado claro, ao impor as primeiras tarifas sobre produtos brasileiros, que uma das razões para a medida estava relacionada ao processo judicial contra Jair Bolsonaro por sua tentativa de reverter o resultado das eleições de 2022 – o ex-presidente foi posteriormente condenado e, impedido de disputar a eleição, indicou o filho, Flávio Bolsonaro, como candidato em seu lugar.

Os congressistas também mencionaram as novas tarifas impostas ao Brasil em julho com base na legislação comercial norte-americana. Na visão dos parlamentares, a combinação de pressão econômica e diplomática representa uma tentativa de influenciar o ambiente político brasileiro às vésperas da eleição.

Outro episódio citado na carta foi a tentativa do governo norte-americano de enviar dois funcionários ao Brasil. Segundo os parlamentares, a missão teria como objetivo colocar em dúvida a integridade do sistema de votação brasileiro. O governo Lula negou os vistos para a delegação.

A manifestação dos parlamentares democratas ocorre depois de declarações públicas de Lula sobre a atuação dos Estados Unidos durante o processo eleitoral.

Na abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta semana, o presidente brasileiro afirmou, sem mencionar diretamente os Estados Unidos, que o Brasil não permitiria que “inimigos da democracia, internos ou externos” atuassem contra a vontade popular.

Os parlamentares democratas pediram que o governo Trump se comprometa publicamente a respeitar o processo eleitoral brasileiro. Também solicitaram ao secretário de Estado uma resposta até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno da eleição presidencial.

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