PF faz operação em gabinete de desembargador da “Turma do KN”

O desembargador Newton Ramos. Foto: reprodução

A Polícia Federal (PF) realizou nesta quinta-feira (24), por determinação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), uma operação no gabinete do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O magistrado aparece em conversas encontradas no material apreendido com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Newton tornou-se um dos personagens da investigação após a PF identificar mensagens que tratam de sua interlocução com o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), em assuntos relacionados a Vorcaro. Nas conversas, assessores do banqueiro chamavam o desembargador e sua mulher, a advogada Camilla Ramos, de “Turma do KN”.

A investigação também encontrou um contrato de advocacia de R$ 427 milhões relacionado à chamada “Turma do KN”. O pagamento estava condicionado ao êxito em ações de interesse de Vorcaro nos tribunais superiores, que poderiam liberar R$ 8,5 bilhões em precatórios. Segundo a análise das mensagens feita pela PF, “KN” seria uma referência a Kassio Nunes Marques.

O contrato e as conversas fazem parte do conteúdo de um HD encaminhado pela PF, em julho, ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do Caso Master no STF. O material reúne dados obtidos durante as investigações envolvendo Vorcaro e pessoas de seu entorno.

O ministro Kassio Nunes Marques. Foto: reprodução

Na última semana, os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes solicitaram acesso integral ao conteúdo. A cobrança ocorreu diante de suspeitas de que Mendonça teria concentrado sua análise nas referências ao ministro Alexandre de Moraes, sem dar o mesmo tratamento às menções a outros integrantes do Supremo. Mendonça nega ter direcionado a investigação.

As mensagens atribuídas ao grupo de Vorcaro colocam Newton Ramos como intermediário em contatos envolvendo Nunes Marques. De acordo com as conversas, o desembargador transmitia ao banqueiro pedidos atribuídos ao ministro do STF.

Entre eles aparece uma solicitação de hospedagem no hotel Fasano. Newton também mantinha Vorcaro informado sobre o andamento de discussões envolvendo os precatórios que interessavam ao banqueiro.

A operação desta quinta atinge, portanto, o gabinete de um magistrado citado diretamente nas conversas sobre a “Turma do KN”, expressão usada por integrantes do entorno de Vorcaro para se referir a Newton Ramos e Camilla Ramos e que, segundo a PF, fazia referência a Kassio Nunes Marques.

Artigo Anterior

VÍDEO: “Não cabe representação de miliciano no Planalto”, diz Lula em ato de campanha

Próximo Artigo

STF iguala licença-maternidade de mães biológicas e adotantes

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!