
O presidente Lula (PT) afirmou nesta quinta (24), em São Gonçalo, no Rio de Janeiro, que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “vai perder” se tentar interferir nas eleições brasileiras. A fala ocorreu a dez dias do primeiro turno.
Durante um comício, Lula pediu votos e disse que os eleitores decidirão o futuro do país no próximo dia 4 de outubro. “Esse país que eu tenho dito para o Trump que, nas eleições daqui, se ele meter a mão, vai perder aqui as eleições. A gente não vai aceitar a ingerência de ninguém”, declarou.
Dois dias antes, na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, Lula já havia defendido a soberania brasileira e rejeitado ações externas sobre o processo eleitoral. Na ocasião, ele não mencionou Trump nominalmente ao tratar das eleições.
“Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular. A democracia brasileira pertence aos brasileiros. O Brasil continuará sendo um país soberano”, disse Lula na ONU. O presidente brasileiro discursou antes de Trump, e os dois não se encontraram nos bastidores, segundo o governo brasileiro.
Documento dos Estados Unidos entrou nas negociações sobre tarifas
A preocupação de Lula ganhou força após uma proposta levada pelos Estados Unidos durante as negociações sobre o tarifaço. O rascunho de documento pedia que o Brasil permitisse a participação de “dissidentes políticos” nas eleições de 2026, sem citar nomes.
Integrantes do Itamaraty rejeitaram a exigência e classificaram o conteúdo como contendo “absurdos”. Na Assembleia da ONU, Lula também afirmou que o Brasil “não cabe no quintal de ninguém” ao abordar a relação dos Estados Unidos com a América Latina.
Em maio, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), adversário de Lula na disputa presidencial, se reuniu com Trump na Casa Branca. Segundo o parlamentar, eles trataram de segurança pública, tarifas e terras raras, e o americano não declarou apoio à sua pré-candidatura.
Em março, durante um evento conservador no Texas, Flávio pediu “pressão diplomática” dos Estados Unidos para que a eleição brasileira tivesse o que chamou de “valores de origem americana”. No fim de agosto, Trump perguntou a Lula sobre o pleito em telefonema, mas não questionou as urnas eletrônicas nem o sistema eleitoral brasileiro.