
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou uma nova peça eleitoral com uma versão de “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, sucesso de Bad Bunny presente no álbum “DeBÍ TiRAR MáS FOToS”, vencedor do Grammy. Segundo a campanha, a equipe do artista porto-riquenho confirmou a autorização para o uso da música.
O vídeo utiliza a obra para reforçar o discurso de soberania nacional adotado por Lula e para atacar politicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e as tentativas de interferência do governo de Donald Trump no Brasil. O tema também esteve no centro do discurso do petista na Assembleia-Geral da ONU nesta semana, quando ele condenou interferências estrangeiras nas eleições brasileiras.
A propaganda começa com uma narração do ator Wagner Moura sobre a origem do sobrenome Silva. “Quando os portugueses chegaram, em 1500, encontraram a selva. Selva em latim é Silva”, afirma.
“Quem nascia aqui, para eles, era ‘da selva’. O povo brasileiro sempre foi ‘da Silva’”, completa o ator antes do início da música.
Do Latim, Silva é a própria selva: a raiz que brota do solo, o verde que resiste e a força viva da terra.
Durante séculos quiseram diminuir a nossa gente, mas foi na garra, no suor e na dignidade que cada Silva construiu este país.
A nossa força não se curva, a nossa bandeira… pic.twitter.com/iwujl0ojq0
— Lula (@LulaOficial) September 23, 2026
A versão criada para a campanha adapta a mensagem de “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, faixa em que Bad Bunny aborda a perda de território, a gentrificação e os efeitos da influência estadunidense sobre Porto Rico. A canção original faz um paralelo com a história do Havaí e alerta para o risco de perda da identidade porto-riquenha.
Na peça de Lula, a letra diz: “Querem tomar o rio, e também a praia, querem as terras raras, querem que a gente saia. Não largue a bandeira, não esqueça o que vivi, não quero que façam contigo, o que fazem por aí”.
Enquanto a música toca, aparecem imagens de bolsonaristas carregando bandeiras dos Estados Unidos e referências a ações do governo Trump. A campanha associa Flávio Bolsonaro à aproximação política com o presidente estadunidense. O vídeo termina com uma declaração de Lula: “O Brasil tem um único dono: o povo brasileiro”.
Bad Bunny contra trumpismo
Bad Bunny já havia protagonizado neste ano um embate cultural com Trump. Em fevereiro, o cantor comandou o intervalo do Super Bowl LX, em Santa Clara, na Califórnia, em uma apresentação marcada por referências à cultura de Porto Rico e à identidade latino-americana. O espetáculo contou com Lady Gaga e Ricky Martin e terminou com bandeiras de países das Américas e uma mensagem de união.
Embora Bad Bunny não tenha feito uma declaração explícita contra Trump durante o show, o presidente estadunidense reagiu duramente. Classificou a apresentação como “absolutamente terrível, uma das piores DE SEMPRE!” e reclamou do fato de o artista cantar em espanhol, dizendo que “ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo”.
O porto-riquenho, que já criticou as políticas migratórias de Trump, transformou “DeBÍ TiRAR MáS FOToS” em uma celebração da cultura de sua ilha e em uma reflexão sobre colonização, deslocamento populacional e identidade. Bad Bunny autoriza campanha de Lula a usar hit sobre soberania em peça que contrapõe o petista a Trump e Flávio Bolsonaro.