
O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, afirmou que o PT errou ao iniciar a campanha com defesa do legado do presidente Lula (PT) sem confrontar diretamente Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista ao jornal O Globo, o articulador político do Palácio do Planalto disse que a estratégia do “Lulinha Paz e Amor” não serve para a disputa.
Guimarães defendeu que a campanha passe a atacar a imagem de “bom moço” atribuída ao senador e filho de Jair Bolsonaro. “É mostrar e comparar e ir para cima, destruir a imagem do nosso adversário”, declarou o ministro.
“Estamos trabalhando muito para desconstruir essa imagem de bom moço. Ele é um péssimo moço. Ele não tem nada para oferecer ao Brasil. Da semana retrasada para a semana passada deu um curto-circuito geral e já houve uma mudança. Acho até que tem uma chance de a eleição ser resolvida no primeiro turno. Não é fácil. Daqui para o dia 4, é pau puro”, disse o ministro.
“Foi a ideia de “Lulinha e o Paz e Amor”, os programas muito amenos. Essa tese não serve para essa disputa, para a realidade política e eleitoral do Brasil”, prosseguiu.
O petista afirmou que governistas inicialmente consideravam Flávio um adversário fraco quando o PL definiu sua candidatura. Ele disse que o cenário mudou porque a campanha bolsonarista conseguiu construir, nas redes, uma imagem de que o senador seria diferente do pai.
Para Guimarães, essa diferenciação não corresponde à atuação de Flávio Bolsonaro. “Ele é a própria cara do pai”, afirmou. O ministro classificou o senador como mais radical nas áreas econômica e social e disse que ele não tem propostas para o país.

Crítica ao início da campanha e disputa nas redes
O ministro reconheceu que a campanha petista demorou a ganhar ritmo. Segundo ele, a reação ocorreu nos últimos 20 dias, período em que o grupo de Lula teria interrompido o avanço do adversário nas pesquisas e começado a apresentar propostas para o futuro.
Guimarães atribuiu parte da dificuldade à atuação bolsonarista no ambiente digital. Ele acusou os adversários de disseminarem mentiras e disse que o governo enfrenta obstáculos para desmontar a narrativa de que Flávio Bolsonaro não compartilha as posições de Bolsonaro.
Ao comentar a possibilidade de vitória no primeiro turno, o ministro disse que houve um “curto-circuito geral” recente no cenário eleitoral, mas reconheceu que a disputa permanece difícil.
Na entrevista, Guimarães também defendeu uma reforma profunda da política, do Judiciário e das instituições. Para ele, a democracia precisa dessas mudanças para evitar contaminação do sistema político.
Sobre as apostas esportivas, o ministro afirmou que o governo discute tanto o fim das bets quanto uma regulamentação mais rigorosa. Ele disse que as plataformas provocam “destruição das famílias” e admitiu que a fiscalização atual não foi suficiente para conter os abusos.
Guimarães afirmou que o Executivo pode tomar novas medidas antes do fim do mandato de Lula, inclusive em áreas sociais. Ele rejeitou a crítica de que eventuais ações seriam eleitoreiras e citou o Bolsa Família e a oferta de canetas emagrecedoras pelo SUS.
O ministro também reagiu à cobrança de Flávio Bolsonaro pelo afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Guimarães disse que Lula defende a apuração de todos os fatos e afirmou que Moraes teve papel fundamental para “interditar o golpe e garantir a eleição”.
Sobre a articulação para um possível segundo turno, Guimarães disse que o governo pretende dialogar com PP, União Brasil e Republicanos em busca de uma frente ampla. Ele afirmou que partidos que integrarem essa aliança precisarão discutir sua participação na composição do governo.