Jornalista nada imparcial pede aos paulistas que elejam duas mulheres para o Senado

Simone Tebet e Marina Silva. Foto: reprodução

A corrida pelas duas vagas no Senado apresenta-se absolutamente indefinida em São Paulo. Seria alvissareiro que o Estado mais desenvolvido do país, em tese, desse o exemplo e fornecesse à machista Casa Alta duas mulheres de trajetória política construtiva, ainda que com posicionamentos ideológicos, às vezes, dúbios. O estatura moral de Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) não se compara à baixeza de Guilherme Derrite (PP), André do Prado (PL) e Ricardo Salles (Novo).

Se Marina é uma das maiores autoridades mundiais em questões ambientais, com passagens profícuas pelo Ministério do Meio Ambiente, tendo deixado a pasta em 2008 por desentendimentos dentro do governo – mais precisamente, com a então chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff – e reatado com Lula em 2022, Simone vem de um MDB centrista que votou pelo impeachment da presidenta Dilma e que, na última eleição presidencial, competiu afirmando-se distante tanto de Lula quanto de Bolsonaro. Mas mostrou-se uma democrata ao apoiar Lula no segundo turno. Depois, revelou-se uma ministra do Planejamento confiável e atuante.

As linhas acima compõem sumária descrição. Já bastariam, contudo, para que as duas políticas fossem escolhidas pelos eleitores paulistas em detrimento dos demais concorrentes competitivos. Os três candidatos homens são de doer. Jornalistas devem ser imparciais, mas, no caso em tela, não se pode manter o equilíbrio quando de um lado da balança estão negacionistas, simpatizantes da violência policial ou meros estafetas.

Ricardo Salles e André do Prado. Foto: reprodução

Ricardo Salles está abaixo da crítica. No Ministério do Meio Ambiente de Bolsonaro, mal disfarçou seu apoio ao garimpo ilegal. É um negacionista envergonhado do aquecimento global e seus efeitos. Foi o ministro do “vamos passar a boiada”. Desde 2023 é réu em processo relacionado ao contrabando de madeira.

Já André do Prado é uma espécie de estafeta de Tarcísio de Freitas na Assembleia Legislativa. É também apadrinhado na carreira por Valdemar Costa Neto, dirigente partidário de manjada capivara. Ele próprio afirmou à CNN que Tarcísio o escolheu para “defender São Paulo” e admitiu que sua estratégia eleitoral seria vincular sua imagem à do governador. A relação chegou a um ponto bastante explícito na campanha: a Justiça Eleitoral de São Paulo proibiu a reexibição de uma propaganda de Prado que utilizava excessivamente a imagem, o nome e o slogan de Tarcísio. A decisão apontou que a propaganda ultrapassava o limite permitido para a participação de apoiadores. Não tem vida própria, por isso não possui a estatura que um senador deve ter.

O candidato Guilherme Derrite representa uma política de segurança que os mais desbocados chamam de “mata-pobre”. A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo nas mãos dele revelou-se modelar da letalidade policial. O crescimento das mortes cometidas por policiais , em serviço ou de folga, foi contínuo ao longo da gestão Derrite, impulsionado majoritariamente pela Polícia Militar. A conferir:

  • 2022 (gestão anterior): 421 mortes.
  • 2023 (primeiro ano de Derrite): 504 mortes (alta de 19%).
  • 2024 (segundo ano de Derrite): 813 mortes (alta de 61% em relação ao ano anterior).
  • 2025 (ano de saída de Derrite): 776 mortes totais.

O modus operandi da Policia idealizada pelo hoje candidato ao Senado pode ser ilustrado pelas famigeradas Operações Escudo e Verão. Realizadas na Baixada Santista após mortes de policiais, tornaram-se o principal símbolo da conduta de enfrentamento da gestão. Somadas, as intervenções na região litorânea deixaram ao menos 84 mortos, gerando denúncias formais do Ministério Público contra policiais envolvidos e críticas severas da Ouvidoria das Polícias, que classificou os episódios como “crise humanitária”.

Não é preciso pensar muito para votar em Marina Silva e Simone Tebet para o Senado.

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