
Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, evitou comentar nesta segunda-feira (21) o contrato de R$ 427 milhões envolvendo a chamada “Turma do KN”, citada em documentos do Caso Master. Questionado durante uma entrevista coletiva em Natal, no Rio Grande do Norte, ele afirmou não conhecer o assunto. “Eu não sei se a história é essa, eu não tenho condição de falar do que eu não sei o que é, eu não sei do assunto”, declarou.
O contrato integra um arquivo encaminhado pela Polícia Federal ao Supremo Tribunal Federal e prevê honorários de R$ 427 milhões em caso de êxito em ações que poderiam liberar cerca de R$ 8,5 bilhões em precatórios de interesse de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
O acordo envolve o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos Advocacia, do qual faz parte Camilla Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). Mensagens extraídas do celular de Vorcaro associam o casal à expressão “Turma do KN”. No material, a sigla “KN” é relacionada ao ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo.
➡️ Flávio Bolsonaro sobre contrato de R$ 427 milhões da “Turma do KN”: “Não sei do assunto”
🤳 Camila Xavier/Metrópoles pic.twitter.com/6hdWFC6sxO
— Metrópoles (@Metropoles) September 21, 2026
O contrato estabelecia honorários equivalentes a 5% dos valores eventualmente recebidos pelo Banco Master em 12 processos ligados a indenizações decorrentes do controle de preços exercido pelo antigo Instituto do Açúcar e do Álcool. O banco aparece nos documentos como credor ou cessionário dos créditos.
As conversas também registram pedidos atribuídos a Newton Ramos relacionados a Nunes Marques. Em uma delas, uma assessora identifica “KN” como o ministro ao repassar a Vorcaro um pedido de diária no hotel Fasano. Há ainda mensagens sobre reservas e hospedagens. Em outro trecho do material, Camilla Ramos elogia um voto de Nunes Marques em julgamento relacionado aos precatórios.
Nunes Marques afirmou que nunca votou em favor de Vorcaro ou do Banco Master, que não trocou mensagens com o empresário e que não autorizou terceiros a falar em seu nome. Newton Ramos reconheceu que sua mulher presta serviços jurídicos ao banco e disse que mantinha relação pessoal com Vorcaro antes dos fatos investigados, mas negou ter julgado causas de interesse da instituição.