Oito em cada dez brasileiros são contrários à discussão de política dentro de espaços religiosos, segundo pesquisa “Religião e Vida Pública no Brasil”, realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest e divulgada neste domingo (20).
O levantamento mostra também que nove em cada dez entrevistados rejeitam a presença de candidatos em igrejas com finalidade eleitoral. A resistência aparece em proporções semelhantes entre católicos, evangélicos e seguidores de outras religiões.
Apesar da rejeição à presença da política nos espaços religiosos, a pesquisa identificou a influência de lideranças sobre parte do eleitorado. Considerando a eleição presidencial de 2022, 11% dos entrevistados disseram ter recebido de líderes religiosos orientação para votar no então candidato Jair Bolsonaro (PL). Outros 5% afirmaram ter sido orientados a votar no atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre os evangélicos protestantes, grupo que reúne denominações como batistas e presbiterianos, o percentual dos que receberam indicação para votar em Bolsonaro chegou a 20%. Entre os pentecostais, que incluem fiéis da Assembleia de Deus, Igreja Quadrangular e Igreja Universal, 23% disseram ter recebido de seus pastores orientação de voto no candidato do PL.
Diferenças entre igrejas
O levantamento também identificou diferenças de comportamento conforme a igreja frequentada. Na Igreja Universal, 27% dos entrevistados afirmaram ter recebido recomendação para votar em Bolsonaro em 2022, enquanto 12% disseram ter recebido indicação de voto em Lula.
A parcela dos fiéis da Universal que considera aceitável que o pastor indique em quem votar também ficou acima da média nacional. Segundo a pesquisa, 26% concordam com esse tipo de orientação, o dobro do índice registrado no conjunto dos entrevistados.
O estudo apontou ainda diferenças regionais na relação entre religião e preferência eleitoral. No Nordeste, entre os eleitores evangélicos, Lula recebeu 35% dos votos no segundo turno da eleição presidencial de 2022, enquanto Bolsonaro registrou 38% nesse segmento. Segundo os dados apresentados pela pesquisa, a diferença ficou dentro da margem de variação estatística considerada pelo levantamento.
Política nas redes sociais
A pesquisa também analisou a circulação de conteúdo político em grupos e comunidades religiosas nas redes sociais. Apenas cerca de um em cada cinco entrevistados afirmou participar desses espaços virtuais.
Entre os que participam de grupos religiosos nas redes, a presença de conteúdo político é mais frequente. No Facebook, 48% disseram observar “sempre” ou “frequentemente” o compartilhamento de conteúdos políticos por outros integrantes. No WhatsApp, o percentual foi de 34%.
A circulação de mensagens políticas nesses ambientes digitais aparece com maior frequência entre católicos praticantes, pentecostais e protestantes.
Metodologia
A pesquisa “Religião e Vida Pública no Brasil” ouviu 15 mil eleitores de todo o país entre 14 de janeiro e 10 de fevereiro. As entrevistas foram realizadas presencialmente.
O levantamento tem margem de erro de um ponto percentual, para mais ou para menos, e intervalo de confiança de 95%.
*Com informações da CNN Brasil.
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