Quem tem pena de Edson Fachin?

Flávio Dino
Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal. Foto: Alejandro Zambrana/STF

A famigerada sessão de 15 de setembro do Supremo Tribunal Federal gerou interpretações as mais proselitistas, partidárias, inverossímeis e esdrúxulas. Por ter sido protagonista dos debates, com intenso brilho retórico, o ministro Flávio Dino chamou para si muitas críticas de “analistas” da imprensa. Bolsonaristas disfarçados de imparciais correram afirmar que Dino atua para favorecer Alexandre de Moraes. Estrategicamente, talvez? Bem, jogar o jogo daquela corte sem estratégia é pedir para ser morto.

Contudo, as palavras de Flávio Dino podem parecer tudo, menos posicionamento em benefício de Moraes: “A apuração deve alcançar todos os que se envolveram com o caso, sem recortes de ordem política ou ideológica, nem preferências pessoais”. E teve mais: “Em resumo, (defendo) abertura de procedimento legal contra todos os magistrados sobre os quais há indícios de relacionamento indevido com o Banco Master”.

Na imprensa brasileira atual, bom português não basta para bom entendimento , além de não ser praticado pela própria.

O que mais assombra, contudo, é a horda de condoídos com a “dureza” e a “rispidez” com que Flávio Dino dirigiu-se ao presidente Edson Fachin. Prefere-se a pieguice de uma Cármen Lúcia, que votou “por respeito” ao relator, vitimizando-se diante de uma crise que exige postura forte dela, numa manifestação teatral e demagógica.

Edson Fachin
Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal. Foto: Alejandro Zambrana/STF

Se o Supremo patina na superação da presente crise, boa parte de responsabilidade é do seu presidente, que demonstra incrível falta de pulso. Fachin convocou uma sessão sem estabelecer seu rito, criando um ambiente propício ao tumulto. Pode até ser dono de personalidade ponderada e saber jurídico, mas não tem estofo para ordenar um colegiado de estrategistas irascíveis, muito menos de liderar uma movimento que resgate a respeitabilidade da corte constitucional.

Nas palavras de Flávio Dino dirigidas a Fachin, não existe o mais pálido sinal de inverdade. Ninguém em estado de sanidade pode discordar desta frase: “O tribunal está sendo exposto desnecessariamente às vésperas de um período eleitoral. Se continuarmos com essa condução, as coisas só vão piorar daqui para frente”. Nem desta: “Houve a oferta de um relatório da Polícia Federal que nunca foi apreciado pelo colegiado. Ocorreu uma reunião informal convocada pelo presidente, que resultou no ambiente em questão… Esse relatório nunca foi apreciado no colegiado, e houve um arquivamento monocrático pelo ministro Fachin”.

Sobre o fato de Fachin ter avocado a relatoria do caso Master, disse Dino: “Se um presidente de um tribunal pode destituir um relator ao seu alvedrio, além de ser descabido à luz da Constituição (…) o resultado é um desastre”. E não é?

Por que tanta piedade da mídia com o senhor Luiz Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal? Se a instituição pode ser massacrada dia a noite, por que o homem que responde por ela merece ser preservado?

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