O plano do partido de Netanyahu para impedir israelenses no exterior de votar

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O primeiro-ministro israelenese, Benjamin Netanyahu. Foto: Ronen Zvulun/Reuters

O Likud, partido do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, pediu à Comissão Central de Eleições de Israel que interrompa uma iniciativa destinada a ajudar cidadãos israelenses que vivem no exterior a retornar ao país para votar nas eleições de 27 de outubro. A ação tem como alvo a Fly & Vote, organizada pela America-Israel Democracy AID Coalition, segundo a CNN.

Israel é uma exceção entre democracias desenvolvidas por não permitir, em regra, que cidadãos comuns votem do exterior. Diplomatas e integrantes de determinadas missões oficiais têm exceções, mas a maioria dos israelenses que mora ou está fora do país precisa voltar fisicamente e comparecer à seção eleitoral onde está registrada. O Instituto de Democracia de Israel confirma que o país não dispõe de voto postal, eletrônico ou antecipado para esse grupo.

A Fly & Vote afirma que mais de 35 mil israelenses já se cadastraram e calcula que mais de 50 mil pretendem retornar para a votação. O projeto diz que não paga as passagens nem pergunta em quem os participantes votarão, mas organiza grupos, pesquisa tarifas mais baixas e ajuda com a logística. A dimensão ganhou peso porque pesquisas mostram uma disputa sem maioria clara e um risco real de Netanyahu perder o comando do governo.

O Likud afirma que os descontos obtidos em reservas coletivas e outros serviços podem configurar benefício eleitoral ilegal. A petição também questiona vínculos e fontes de financiamento das organizações envolvidas. A coalizão responsável pela Fly & Vote rejeita a acusação de atuação partidária e afirma que o objetivo é permitir que cidadãos exerçam um direito que a legislação israelense obriga a ser realizado dentro do país.

Israel eleições
Judeu ultra-ortodoxo vota durante as eleições de 2022 em Israel. Foto: Ronen Zvulun/Reuters

A ofensiva do partido ocorre depois de outra controvérsia envolvendo o fluxo de eleitores. Em julho, uma reportagem do Haaretz afirmou que integrantes do Ministério dos Transportes discutiram reduzir a atividade aérea no dia da eleição, diante da avaliação de que os passageiros vindos do exterior favoreceriam a oposição. A ministra Miri Regev, do Likud, negou qualquer intenção de fechar ou limitar o espaço aéreo.

O receio eleitoral do grupo de Netanyahu não é abstrato. Pesquisas divulgadas em setembro mostram o Likud disputando a liderança com o partido Yashar, de Gadi Eisenkot, e o bloco do primeiro-ministro abaixo das 61 cadeiras necessárias para controlar sozinho a formação de uma coalizão. A votação será a primeira eleição nacional desde o ataque de 7 de Outubro e ocorre depois de três anos de guerra, protestos contra a reforma do Judiciário e crescente desgaste internacional pela ofensiva israelense em Gaza.

A Comissão Central de Eleições ainda terá de decidir se as facilidades oferecidas pela Fly & Vote violam as regras de financiamento e benefícios eleitorais. Até essa decisão, não existe proibição para que os expatriados retornem ao país e votem. A disputa aberta pelo Likud é, por enquanto, contra a estrutura criada para facilitar esse retorno — justamente em uma eleição na qual dezenas de milhares de votos podem ser decisivos.

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