
O advogado Nelson Wilians movimentou mais de R$ 90 milhões em transações com o empresário Maurício Camisotti, preso pela Polícia Federal e apontado nas investigações como operador dos desvios bilionários em aposentadorias e pensões do INSS.
O Ministério Público avalia que as operações podem indicar tentativas de ocultar a origem e o destino de valores em apurações que citam o advogado. Wilians afirma que todas as transferências foram lícitas e ligadas a relações profissionais e negócios privados.
O advogado aparece em três investigações recentes: a Operação Sem Desconto, da PF, sobre descontos ilegais que somariam R$ 6,3 bilhões no INSS; a Operação Distrato, do Ministério Público de São Paulo, sobre créditos forjados de ICMS; e a Operação Arena, que apura evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de casas de apostas.
Entre 2023 e 2025, mais de 150 transações de Wilians chegaram ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As contas pessoais do advogado e as vinculadas ao seu escritório movimentaram mais de R$ 4,5 bilhões no período.

Transferências a Camisotti e a ex-sócio entram na apuração
Documentos analisados pelo Ministério Público indicam que Wilians transferiu diretamente R$ 67,3 milhões a Camisotti entre julho de 2019 e outubro de 2025. Na CPI do INSS, em setembro do ano passado, o advogado não respondeu a perguntas sobre as movimentações; parlamentares mencionaram então cifras próximas de R$ 28 milhões.
Em nota, Wilians declarou que apresentou documentos sobre a origem e a regularidade das transações às autoridades. “Essas transações não têm qualquer relação com os fatos investigados nas Operações Sem Desconto e Distrato”, afirmou, acrescentando que relatórios de inteligência financeira do Coaf não constituem, por si só, prova de ilegalidade.
O relatório também registra transferências superiores a R$ 45 milhões de Wilians ao empresário Fernando Cavalcanti, ex-sócio do advogado e administrador da assessoria Valestra, aberta em 2023 como NW Consultoria, Negócios e Soluções. Os promotores paulistas apontam que a empresa atuou na venda dos créditos de ICMS investigados na Operação Distrato. Cavalcanti não respondeu aos questionamentos.
O Santander comunicou ao Coaf movimentações atípicas de quase R$ 1 bilhão em uma conta empresarial de Wilians entre 2023 e 2024, ao identificar valores considerados incompatíveis com o faturamento mensal e indícios de mecanismo para dificultar a identificação da origem e dos destinatários dos recursos. O informe também registra recebimento de R$ 6 milhões da Pixbet, alvo da Operação Arena.