
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participou de uma viagem à África do Sul, em março de 2025, ao lado do senador Weverton Rocha (PDT-MA), do advogado Willer Tomaz e do empresário Carlos Alberto de Sá, conhecido como Carlinhos. Uma fotografia do grupo, que usou um jatinho de empresa ligada a Daniel Vorcaro, ganhou repercussão porque Weverton e Willer aparecem em apurações sobre fraudes no INSS, enquanto Carlinhos foi alvo de pedido de indiciamento na CPI da Covid.
A revista piauí informou que a imagem foi compartilhada em 10 de março de 2025 em um grupo de WhatsApp chamado “África do Sul”. Também participavam do grupo as esposas de Flávio, Willer e Weverton, e as mensagens incluíam dezenas de fotos de animais feitas durante o safári.
A Polícia Federal acessou o conteúdo após apreender o celular de Weverton no fim de 2025, em uma fase da Operação Sem Desconto. A investigação apura desvios em benefícios previdenciários e passou a incluir o senador e o advogado em linhas de apuração relacionadas ao caso.
Além dos dois, o grupo de mensagens tinha Carlos Alberto de Sá, sócio da VTCLog e fundador do Grupo Voetur. Em 2021, o relatório final da CPI da Covid pediu o indiciamento dele e de sua sócia Teresa Cristina Reis de Sá por corrupção ativa e improbidade administrativa, em suspeitas ligadas a contratos da empresa com o Ministério da Saúde.

CPI da Covid apontou suspeitas sobre contratos da VTCLog
O relatório da CPI citou saques de R$ 4,7 milhões em dinheiro vivo desde 2018 por um funcionário da VTCLog. Parte dos valores quitou boletos pessoais de Roberto Ferreira Dias, então diretor de Logística do Ministério da Saúde, área responsável por contratos de interesse da empresa.
Os senadores também apontaram indícios de “jogo de planilha” na execução contratual: a VTCLog teria oferecido descontos para vencer a licitação e, depois, pedido aditivos que elevaram os valores. Apesar dos pedidos de indiciamento aprovados pela CPI em outubro de 2021, as investigações sobre a empresa não avançaram, e ela continua em atividade.
Carlinhos afirmou, por meio de nota, que mantém amizade com Willer Tomaz e recebeu dele o convite para a viagem. “Custeou suas próprias despesas de viagem e hospedagem. Não custeou nada para terceiros”, declarou. O empresário não comentou as suspeitas levantadas pela CPI da Covid.
Willer Tomaz declarou que as viagens com Flávio Bolsonaro têm “caráter estritamente privado” e decorrem de amizade antiga com o senador e sua família. Ele negou que responda a investigação sobre a fraude no INSS, versão contestada por fontes da Polícia Federal ouvidas pela piauí. O advogado também comprou de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, um apartamento usado por Flávio durante agenda de campanha em São Paulo.
Weverton Rocha disse que Willer é seu “compadre e amigo há muitos anos” e que as viagens feitas pelas famílias não envolvem dinheiro ou interesses públicos. O senador também teve o nome incluído em um inquérito do Ministério Público Federal sobre repasses para a Saúde no Maranhão; o caso chegou ao STF em 2024, sob relatoria do ministro Flávio Dino, e tramita sob sigilo.
Procurado para comentar a viagem, o grupo de WhatsApp e as relações com Willer, Weverton e Carlinhos, Flávio Bolsonaro não respondeu. A fraude no INSS se tornou pública em abril de 2025, após o retorno do grupo da África do Sul.