
Por Igor Carvalho e Luís Indriunas em Brasil de Fato
Na próxima quarta-feira (23), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende assinar uma Medida Provisória (MP) para uma regulamentação mais firme das Bets. Jogos e cassinos online, como o chamado jogo do “Tigrinho”, devem ser proibidos. Já as apostas esportivas não serão proibidas, como vinha sendo alardeado desde a quinta-feira (17), mas devem sofrer maiores restrições de publicidade, segundo fontes ouvidas pelo Brasil de Fato.
A princípio, o governo estudou proibir completamente as bets, o que provocou a reação dos cartolas do futebol. Na quinta-feira (17), as federações paulista, carioca e baiana de futebol, e clubes das séries A e B, divulgaram o manifesto “O fim do futebol brasileiro”, criticando as propostas do governo e do Congresso, alegando risco de “insolvência” financeira e perdas de até R$ 1 bilhão em patrocínios.
“O jogo foi feito pra eles ganharem. Os times de futebol não podem querer que o pobre, que já gasta dinheiro pra ver o jogo, paga ônibus, paga metrô, ainda tenha que jogar pra agradar os times. Não, não e não. Se preparem que eu compro essa briga. E quando eu compro uma briga, eu… pic.twitter.com/XwNY2IVyiR
— Guzzo Informa (@guzzoinforma) September 19, 2026
Membros do governo acreditam que, mesmo sem as apostas nas restrições, haverá reação de setores financiados pelas bets, já que os cassinos e jogos online, como o “Tigrinho”, que atingem boa parte dos seus ganhos. Do outro lado, o governo acredita que já há um sentimento popular contra as apostas eletrônicas.
Esse sentimento pode ser medido, de certa forma, pela reação negativa nas redes sociais, após o manifesto que teve, entre seus signatários, Flamengo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Santos, Botafogo, Vasco, Fluminense, Cruzeiro e Grêmio.
“O São Paulo foi campeão do mundo três vezes sem bets. Santos, duas. Grêmio, Flamengo e Internacional também. E o meu Corinthians foi duas vezes. Lamentavelmente, só o Palmeiras não foi campeão do mundo. Dizer que acabar com as bets vai acabar com o futebol é balela.” – Lula… pic.twitter.com/SFI9ytR04s
— Bruno Guzzo® (@brunoguzzo) September 18, 2026
Os torcedores encheram as redes com posts, lembrando que os clubes existem há décadas sem o dinheiro das bets e questionando a dependência financeira dos dirigentes e o descaso quanto aos problemas de vício e endividamento.
“Mico”, “vergonha nacional”, “canalhice”, “nota ridícula” foram algumas das palavras usadas pelos torcedores dos grandes times. As lideranças de torcidas, entidades de torcidas organizadas e outras associações ligadas aos times também reagiram, repudiando o tom alarmista das diretorias e defendendo o fim das apostas no esporte.
Lula, por sua vez, tem aumentado o tom contra as bets, chamando-as de “doença” ou “desgraça da mentira”, por exemplo. Em abril, o presidente já tinha questionado essa dependência dos clubes sobre as bets. “O futebol viveu um século e meio sem as bets”, disse na ocasião.
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