
Aliados de Flávio Bolsonaro (PL) temem que a articulação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos reabra, a duas semanas do primeiro turno, o desgaste da campanha do tarifaço imposto por Donald Trump ao Brasil. O entorno do senador avalia que os pedidos do irmão por novas sanções contra autoridades brasileiras podem recolocar o presidente americano no centro da disputa, segundo o jornal O Globo.
Integrantes da campanha consideram que Flávio reduziu a associação com Trump ao longo da corrida eleitoral. A preocupação é que uma eventual medida americana contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), faça a candidatura voltar a ser vinculada às ações do governo dos Estados Unidos.
Eduardo já disse que tem pedido sanções a Moraes nos encontros que mantém nos Estados Unidos e que decisões americanas não dependem do calendário eleitoral brasileiro. “Em qualquer lugar que eu vou, peço”, declarou.

Tarifaço virou ponto de atenção na pré-campanha
O receio dos aliados de Flávio tem como antecedente a ofensiva comercial de Trump contra o Brasil. O presidente americano vinculou medidas contra o país à situação de Jair Bolsonaro e a decisões do Judiciário brasileiro, enquanto Eduardo defendia sanções a autoridades brasileiras no exterior.
A combinação permitiu que adversários associassem a família Bolsonaro às consequências econômicas das tarifas e transformou a relação com Trump em um problema para Flávio na pré-campanha. Embora o entorno avalie que o tema perdeu força, a possibilidade de novas sanções trouxe o temor de que ele retorne à reta final.
Eduardo disse que também atua para impedir o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros. “A gente sempre pede para que não aumente tarifas, mas o fundamento das tarifas são problemas que Lula fez questão de não combater”, disse.
Auxiliares de Flávio diferenciam as sanções contra Moraes de críticas americanas à política de segurança do governo Lula. Em relatório enviado ao Congresso dos Estados Unidos, Trump afirmou que o Brasil falhou no combate ao PCC e ao Comando Vermelho e cobrou “medidas enérgicas” contra as facções; a campanha do senador vê espaço para explorar essa cobrança sem assumir a ofensiva do presidente americano.