Falta escarafunchar melhor a parceria Vorcaro-André Mendonça, por Luís Nassif

Ainda não se chegou ao centro da parceria Daniel Vorcaro-André Mendonça/Instituto Iter.

A Cedro Participações, holding de Lucas Kallas (empresário com negócios paralelos com Vorcaro, inclusive sócio dele na Biomm), fechou com o Instituto Iter um contrato de mútuo conversível em abril de 2024, prevendo repasses de até R$ 5,9 milhões. Do total, R$ 5,2 milhões chegaram a ser efetivamente transferidos.

Não se trata de mero namoro. Mútuo conversível é um contrato de empréstimo (mútuo, no sentido jurídico do Código Civil) com uma cláusula específica: o credor tem a opção de, no vencimento ou em algum gatilho predefinido, converter o valor emprestado em participação societária (quotas ou ações) da empresa devedora, em vez de receber o dinheiro de volta. Em janeiro de 2026 – quase dois anos depois – só 5,3% do dinheiro foi devolvido à Cedro.

O ponto central da atuação do Iter, porém, ainda permanece obscuro. Conforme o GGN já apurou, nos três dias que antecederam a visita de Daniel Vorcaro à sede do instituto, em São Paulo, foram emitidas 37 notas fiscais.

Sabe-se, até agora, os contratos firmados com entes públicos. Falta abrir as contas do Iter para contratos com entes privados.

O algoritmo do Supremo

Há algo de muito suspeito nos algoritmos do Supremo, que sorteiam os casos entre os Ministros. Na época da Lava Jato, cheguei a pedir a um estatístico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) uma análise probabilística das vezes em que casos ligados ao PSDB, ou casos cruciais ligados ao PT, caíam nas mãos de Gilmar Mendes. Não havia o que explicasse.

Quando terminaram as eleições de 2018, duas apurações de contas – do PT e da própria Dilma – caíram com Gilmar, entre 6 juízes. Ou seja, uma probabilidade de 2,78%.

Na época, fui procurado por um ex-assessor do STF que explicou a manobra. Não havia condições de manipular diretamente o algoritmo. O que se fazia, então, era criar uma gambiarra que simulava o algoritmo e dava o resultado planejado. Mas o técnico somente aceitaria relatar o caso se na presença do Procurador-Geral da República ou de algum Ministro do STF. Em plena Lava Jato, ninguém ousou.

Pode ser alarme falso do técnico, pode ser alarme verdadeiro. A lei da probabilidade estava do seu lado.

Vamos analisar agora três inquéritos que caíram com André Mendonça: o do INSS, o do Master e o do Lulinha.

  • INSS = 1/10 (10%, porque Toffoli fora do pool)
  • Master: 1/9 (11%, por Toffoli e Fachin Fora)
  • Lulinha: 1/10 a 1/11 (ou 9 a 10%).

A probabilidade dos 3 inquéritos terem caído com o mesmo Ministro André Mendonça é de 1 em 900 a 1.100, ou probabilidade de 0,1%.

Não é a primeira suspeita sobre os sorteios nos tribunais superiores. O jornalista Luiz Costa Pinto já havia desvendado o mistério de todas as ações da Lava Jato, no Superior Tribunal de Justiça, caírem com procuradores lavajatistas. Na hora do sorteio, o sistema caía. Como não registrava a presença de nenhum procurador, o caso era destinado pelo responsável ao procurador pré-determinado.

É possível que, na distribuição, entrem outros fatores. De qualquer modo, seria relevante haver transparência sobre os algoritmos. Afinal, no final do processo, há uma democracia em jogo.

LEIA TAMBÉM:

Artigo Anterior

A didática de Marília

Próximo Artigo

Ouça o ÁUDIO levou ex-número 3 da Fazenda de Tarcísio à cadeia por corrupção

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!