Caravaggio não moldou meu rosto
por Romério Rômulo
Sobre a nossa vida pouco se dá que a manhã nos teça
Pouco se faz que a carne reabasteça
O poço que nos cabe, esterco.
Sobre a nossa vida pouco se dá que a noite esteja certa
E todas as janelas de bichos não caibam
O osso duro da nossa vergonha.
Quando se estende a tarde -e estamos vivos-
E os olhos que nos bebem não encantam
Somos torpedos, balas, decadência.
E Caravaggio não moldou meu rosto.
Romério Rômulo (poeta prosador) nasceu em Felixlândia, Minas Gerais, e mora em Ouro Preto, onde é professor de Economia Política da UFOP e um dos fundadores do Instituto Cultural Carlos Scliar – Rio de Janeiro RJ.
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