
O Ministério Público de São Paulo denunciou o ex-diretor-geral executivo da Administração Tributária André Weiss, que ocupou o terceiro posto na hierarquia da Secretaria da Fazenda e Planejamento do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos), por corrupção passiva e organização criminosa. A acusação reúne ainda dois auditores fiscais e o advogado João André Buttini de Moraes, investigados por um esquema de propinas ligado à liberação de créditos de ICMS.
Uma gravação de julho de 2023 integra a investigação e deu nome à Operação Caldarium. Na conversa, Weiss discutiu com outros fiscais a compra de uma sauna e mencionou que o estabelecimento poderia servir à lavagem de dinheiro por receber muitos pagamentos em espécie, conforme apontam os promotores.
Weiss está preso desde 3 de setembro, quando a operação avançou sobre suspeitas de fraudes no ressarcimento de créditos tributários no estado. Ele comandou a Diretoria Executiva da Administração Tributária até maio de 2026, após passar por outros cargos de chefia na área tributária paulista.
O MP afirma que integrantes da Fazenda recebiam valores para favorecer empresas na análise e na liberação de créditos de ICMS. Cinco promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão à Formação de Cartel e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos Financeiros assinam a denúncia.
Áudio de membro do governo Tarcísio combinando como lavar dinheiro com sauna pic.twitter.com/R6zYNzmS7B
— Abel Ferreira Comunista! (@AugustodeS62143) September 18, 2026
Investigação aponta repasses de R$ 13,6 milhões
Os investigadores atribuem a Buttini a captação de contribuintes e a intermediação dos pagamentos destinados aos servidores públicos. A apuração calcula que o advogado repassou cerca de R$ 13,6 milhões em propinas ao grupo entre 2021 e 2025.
Desse total, aproximadamente R$ 4,5 milhões teriam chegado a Weiss em dinheiro vivo, segundo o Ministério Público. As entregas ocorreriam em mochilas, durante encontros em restaurantes e outros estabelecimentos no bairro de Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista.
Também respondem à denúncia os auditores Artur Gomes da Silva Neto, conhecido como “Rei Artur”, acusado de corrupção passiva, e Kunio Shimada, denunciado por corrupção passiva e organização criminosa. Artur já havia sido preso nas investigações sobre os créditos tributários, e investigadores recuperaram gravações armazenadas em seu celular.
A denúncia atribui a Buttini os crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O Ministério Público pediu a manutenção das prisões de Weiss, Buttini e Artur, além da prisão preventiva de Shimada; a Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores analisará os pedidos. A defesa de Buttini declarou que não teve acesso aos autos e respeita o sigilo decretado no processo.