
A equipe econômica deve apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nos próximos dias, uma proposta para recomprar com desconto dívidas antigas de famílias inadimplentes. O plano busca reduzir o endividamento de consumidores que seguem com o nome negativado e enfrentam dificuldade para retomar o acesso ao crédito.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista ao jornal Extra que o governo estuda realizar um leilão para viabilizar a aquisição desses débitos com deságio. Nesse formato, os consumidores não precisariam entrar em uma plataforma para aceitar individualmente uma renegociação.
Durigan disse que a política deve priorizar dívidas antigas ou débitos que mais impedem a recuperação financeira de quem está inadimplente. Ele atribuiu parte do endividamento atual à crise econômica e às dificuldades enfrentadas pelas famílias durante a pandemia de Covid.
“Vamos propor ao presidente que ele faça uma política para limpar o nome, principalmente das dívidas mais antigas, que os próprios bancos, as próprias empresas de prestação de serviços, já perderam a esperança de cobrar”, afirmou o ministro.

Proposta prevê compra dos débitos pelo governo
O desenho ainda está em elaboração pelos técnicos da área econômica. Durigan afirmou que o governo pretende comprar as dívidas com desconto elevado para limitar o impacto sobre as contas públicas e permitir que pessoas com melhora de renda e emprego eliminem pendências que se tornaram impagáveis com os juros.
O programa pode receber outro nome, já que não deve repetir o modelo do Desenrola 1. Na primeira edição, os credores participaram de um leilão e os consumidores precisavam acessar uma plataforma para aderir à negociação das dívidas bancárias e de contas de consumo, como luz e gás.
O Desenrola 2 concentrou-se em débitos de crédito bancário. Nessa fase, o consumidor renegociava diretamente com o banco dentro de faixas de desconto definidas pelo governo, que ofereceu garantia para as operações.
Os dois programas anteriores alcançaram 19 milhões de brasileiros, mas a inadimplência dos consumidores chegou a 5,8% em julho, o maior patamar desde março de 2011, segundo os dados mais recentes do Banco Central.