
Em uma participação no programa Em Pauta, da GloboNews, o sociólogo e comentarista político Demétrio Magnoli classificou a sessão de terça (15) como o “velório do Supremo Tribunal Federal”. Magnoli defendeu que as suspeitas que pairam sobre magistrados da Corte não podem ser creditadas ao ex-presidente Jair Bolsonaro ou a pressões externas.
Ao comentar as declarações da ministra Cármen Lúcia, que se declarou “triste” num voto piegas e alinhado a André Mendonça, Fux e Fachin, Magnoli destacou que a crise no Judiciário atingiu um ponto sem precedentes.
Ele classificou como “farsesca” a tentativa de atribuir os questionamentos contra o ministro Alexandre de Moraes a uma eventual articulação política de Jair Bolsonaro.
“Duvido que Bolsonaro tenha obrigado Alexandre de Moraes a assinar um contrato multimilionário e suspeito. Duvido que Bolsonaro tenha obrigado Alexandre de Moraes a trocar mensagens poucas horas antes da prisão de Vorcaro”, disse, ressaltando que as condutas sob suspeita partem de decisões individuais do próprio magistrado, e não da oposição política.
Magnoli sublinhou ainda a existência de um conflito de interesses na atuação de integrantes da Alta Corte, argumentando que Moraes estaria atuando com “vida dupla”: como ministro na esfera pública e como parecerista ou redator de contratos advocatícios na esfera privada. “Editar um contrato de serviços advocatícios é um ato de advogado. O ministro do Supremo atuava como advogado. Isso não é culpa de Bolsonaro”, frisou.
O comentarista também criticou a postura do ministro Flávio Dino, que defendeu a soberania nacional. “Enquanto isso, Flávio Dino atribuiu a Trump, a Donald Trump, o problema que se discutia, levantando o tempo todo a bandeira da soberania como forma de impedir que se investigue o ministro Alexandre de Moraes”, falou.
A Globo acaba de sair em defesa do Bolsonaro.
A-GLO-BO!!! pic.twitter.com/pAK4zELq40
— Paulo de Tarso (@paulodetarsog) September 16, 2026