Bastidores do STF têm dedos em riste, celulares lacrados e gargalhadas

Carmen Lúcia STF
Carmen Lúcia chega para plenário do Supremo Tribunal Federal. Foto: Gabriela Biló/Folhapress

A sessão extraordinária do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre Alexandre de Moraes e o Caso Master teve sinais visíveis da tensão entre os ministros dentro do plenário. Cármen Lúcia passou parte do julgamento apoiando o queixo e, em outros momentos, a testa nas mãos, enquanto André Mendonça mantinha as mãos em forma de oração quando não estava falando. Os bastidores foram relatados pela Folha de S.Paulo.

Gilmar Mendes acompanhava a sessão com um volume impresso das mensagens apreendidas no celular de Daniel Vorcaro. Ao menos oito policiais estavam dentro do plenário, número considerado incomum, e circulavam entre as cadeiras observando a plateia. Os celulares dos presentes foram lacrados e, depois de agentes advertirem uma pessoa que tentava se comunicar à distância por gestos, integrantes do público passaram a trocar bilhetes. O esquema reforçado de segurança e a restrição aos celulares já estavam previstos antes do julgamento.

Mendonça e Moraes, que ocupam cadeiras lado a lado pela ordem de antiguidade na Corte, não se olharam durante a leitura do relatório feita pelo presidente Edson Fachin. Depois, as discussões aumentaram. Mendonça batucava na mesa e grifava documentos com uma caneta marca-texto rosa; Moraes alternava entre olhar para o teto, mexer no celular e fazer anotações. A sessão também teve um duro bate-boca entre Gilmar Mendes e Mendonça.

André Mendonça
André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal. Foto: Gustavo Moreno/STF

A TV Justiça recebeu orientação para não mostrar os embates diretos entre os ministros. Os áudios continuaram sendo transmitidos, mas, quando as discussões se intensificavam, a imagem era direcionada a Fachin. Quem estava dentro do plenário, segundo a reportagem, acompanhou episódios de ministros apontando o dedo uns para os outros.

No intervalo, Flávio Dino aproximou-se de Fachin, fez um gesto de paz e disse que as críticas à condução do julgamento não eram pessoais. Dino também conversou com Mendonça. Segundo interlocutores, os dois trataram dos procedimentos adotados pela Presidência da Corte, sem entrar no mérito do caso. Após a retomada, as críticas de Dino aumentaram até ele pedir vista e interromper o julgamento.

Depois do pedido de vista, Dino deixou o plenário e foi seguido por Gilmar. Há testemunhos de que os dois deram gargalhadas na sala de lanches antes de retornar aos lugares. Ao fim da sessão, Fachin saiu ladeado por Cármen Lúcia e Luiz Fux, que lhe prestaram apoio. Da mesma sala anexa ao plenário, novas risadas foram ouvidas enquanto o julgamento terminava sem decisão sobre o mérito.

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