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1. Panorama Geral da Investigação
Investigações conduzidas pela Polícia Federal (no âmbito da Operação Make Up) e pela Polícia Civil de São Paulo apuram possíveis desvios de recursos públicos e esquemas de financiamento cruzado envolvendo o programa municipal WiFi Livre SP e a produção cinematográfica do filme Dark Horse (tvtnews.com.br).
Decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou o sigilo sobre autos do caso, indica a suspeita de que diversas operações financeiras integrem “um só sistema delitivo”, conectando verbas públicas da Prefeitura de São Paulo a entidades privadas e produtoras (tvtnews.com.br, bol.uol.com.br).
2. O Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Produtora do Filme
No centro das atenções está o Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama. O ICB firmou um contrato superior a R$ 100 milhões — posteriormente ampliado — com a Prefeitura de São Paulo para a gestão do programa WiFi Livre SP (Folha de S.Paulo).
Paralelamente, Karina Gama é proprietária da Go Up Entertainment, produtora responsável pelo filme Dark Horse. A proximidade societária e operacional entre a ONG detentora da verba pública e a empresa cinematográfica levantou o alerta dos investigadores quanto ao uso potencial de recursos do contrato municipal para custear despesas do filme (Folha de S.Paulo, O Tempo).
3. A Rota de Alex Leandro Bispo dos Santos e a Favela Conectada
Um dos elos investigados envolve Alex Leandro Bispo dos Santos e a empresa Favela Conectada Serviço e Tecnologia Ltda. (anteriormente ALBS Consultoria e posteriormente renomeada para Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda.) (tvtnews.com.br):
- Contratação e Valores: A empresa de Alex foi subcontratada pelo ICB pelo valor global de R$ 12 milhões para a instalação de pontos de Wi-Fi em comunidades (revista piauí, CNN Brasil).
- Faturamento Documentado: Há notas fiscais confirmando o repasse efetivo de ao menos R$ 3 milhões pelo ICB para a Favela Conectada em meados de 2025 (incluindo parcelas de R$ 500 mil em 24/06/2025 e 04/07/2025, e R$ 2 milhões em 07/07/2025), além de mais de R$ 2 milhões adicionais mapeados até dezembro de 2025 (CNN Brasil, O Tempo).
- Movimentações Financeiras e Troca Societária: Em fevereiro de 2025, a empresa solicitou ampliação do limite diário de TED para R$ 600 mil, realizando transferências subsequentes para outras prestadoras, como a Ultra IP Tecnologia (Portal Papo Aberto). Em janeiro de 2026, Alex transferiu a sociedade para Tatiane Camargo de Oliveira Fernandes, alteração investigada pela Polícia Civil sob a hipótese de blindagem patrimonial (tvtnews.com.br).
- Identificação Omitida: Relatórios apontam que, na documentação inicial de prestação de contas entregue ao poder público, o representante da subcontratada constava apenas como “Alex”, sem sobrenome ou qualificação completa (Sintramog).
- Atribuição das Autoridades Policiais: Alex é apontado por órgãos de inteligência e pelo Ministério Público como suposto integrante do PCC (conhecido pelo apelido “Escorpião do PCC”), qualificação citada na decisão do STF. Trata-se de uma atribuição das autoridades policiais e investigativas, não de uma condenação judicial definitiva (UOL Notícias, CNN Brasil).
4. Disputa sobre a Efetiva Prestação dos Serviços e Notas Impugnadas
A execução dos serviços no projeto gera questionamentos judiciais e administrativos:
- Conflito entre Ultra IP e Favela Conectada: A empresa Ultra IP Tecnologia sustenta em juízo ter sido a responsável técnica por operar todos os cerca de 3.200 pontos de Wi-Fi efetivamente instalados, questionando se a Favela Conectada/Urban Connect realizou os serviços faturados. O ICB contesta a versão e atribui parte dos pontos à empresa de Alex (UOL Notícias, Plano Oeste EDC).
- Movimentação da Ultra IP: Relatórios da PF apontam que o ICB repassou R$ 8,55 milhões à Ultra IP em oito operações. A empresa movimentou R$ 31,6 milhões em menos de três meses após abrir conta bancária em julho de 2024 (Folha do Estado da Bahia).
- Questionamentos da Prefeitura: A Prefeitura de São Paulo questionou R$ 13,4 milhões em notas fiscais apresentadas pelo contrato do ICB. Desse total, aproximadamente R$ 10,6 milhões referem-se a notas de empresas como Favela Conectada, Ultra IP, Complexsys e Make One por falta de especificação adequada dos locais ou serviços prestados (082noticias.com).
5. O Desenho do Fluxo Financeiro e os Próximos Passos
A análise documental permite desenhar duas rotas paralelas em apuração:
- 1. Rota de Recursos Públicos: Prefeitura de SP → ICB (Karina Gama) → Subcontratadas (Favela/Urban / Ultra IP / ANC) → [Possível pulverização / Go Up] (O Tempo, UOL Notícias)
- 2. Rota do Financiamento Privado: Daniel Vorcaro / Banco Master → Entre/Freixo → Havengate → Produção de Dark Horse (UOL Notícias)
Entre as pistas consideradas promissoras pelos investigadores estão a apuração de R$ 6,17 milhões direcionados à Academia Nacional de Cultura (ANC) — entidade também associada a Karina Gama — e o cruzamento detalhado dos extratos bancários das subcontratadas com os fornecedores da Go Up Entertainment (UOL Notícias).
Conclusão das Provas Atuais: Embora as conexões societárias, contratuais e repasses de verbas públicas para a Favela/Urban e Ultra IP estejam fartamente documentados e integrem formalmente a investigação federal, o rastreamento bancário direto que demonstre a transferência de valores de Alex ou da Favela Conectada diretamente para a Go Up ou para a produção de Dark Horse permanece sob apuração e análise sigilosa das autoridades (bol.uol.com.br).
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