Jandira reúne artistas e intelectuais em defesa da cultura e da democracia

Em meio à disputa eleitoral, marcada pela polarização e pelo confronto permanente nas redes sociais, a campanha de Jandira Feghali para a Câmara dos Deputados se destaca por uma característica menos ruidosa e, ao mesmo tempo, bastante expressiva: a reunião de artistas, intelectuais e representantes de diferentes segmentos da cultura em torno de sua candidatura.

A materialização mais recente dessa força ocorre na próxima semana. O músico Kiko Horta, por iniciativa da campanha, convoca o Festival Canto pela Democracia, marcado para o dia 21 de setembro, às 19h, no Teatro Riachuelo. O evento, que busca arrecadar fundos para as campanhas de Lula, Benedita da Silva e Eduardo Paes, reúne um “Grande Encontro” regido pela Orquestra do Cordão do Boitatá, com Geraldo Azevedo, Sandra de Sá, Mariana Baltar, Diogo Nogueira, Marquinhos de Oswaldo Cruz, Jongo da Serrinha, Império Serrano, Moysés Marques e atrações-surpresa.

O festival, porém, é apenas a ponta do iceberg de um fenômeno analítico: a cultura e a ciência não estão apenas “emprestando” rostos à campanha; elas reconhecem em Jandira uma interlocutora histórica.

Uma campanha que encontra sua gente na cultura

Os apoios divulgados nas redes da deputada federal pelo PCdoB-RJ formam um mosaico que atravessa gerações, linguagens artísticas e áreas de atuação. De Gilberto Gil a Fernanda Abreu, de Camila Pitanga a Carlinhos de Jesus, passando por Dalal Achcar, Elizabeth Savala, Bruno Garcia e Alamo Facó, as manifestações têm um ponto em comum: o reconhecimento de uma trajetória que, para esses apoiadores, ultrapassa a circunstância de uma eleição.

Gilberto Gil sintetizou essa percepção ao defender a reeleição de Jandira como um “feito extraordinário” para o Rio de Janeiro, destacando os muitos anos de dedicação da deputada à luta política e à vida cultural do estado e do país.

A declaração ganha peso justamente porque vem de alguém que conhece os dois lados dessa relação: a produção cultural e a gestão pública. Ex-ministro da Cultura no primeiro governo Lula, Gil vivenciou diretamente os desafios de transformar a defesa da cultura em política de Estado.

De Fernanda Abreu a Dalal Achcar

A diversidade dos apoios também revela a amplitude da interlocução de Jandira.

Fernanda Abreu associa a candidatura à necessidade de ampliar a presença feminina nos espaços de poder. Para ela, o momento eleitoral exige mulheres que representem a sociedade e estejam “no centro do poder lutando pela gente”, ressaltando a biografia da deputada.

Na dança, Dalal Achcar — referência histórica da formação profissional no Brasil — define Jandira como uma “senhora deputada” e destaca sua atuação em defesa da arte e da cultura. O argumento é particularmente significativo porque parte de uma personalidade que acompanhou diferentes ciclos das políticas culturais brasileiras.

A atriz Elizabeth Savala também enfatiza a importância da presença de Jandira no Congresso para o Rio de Janeiro. Manuela do Monte declara apoio “absoluto”, enquanto Camila Pitanga associa sua manifestação a um gesto de gratidão pelo trabalho desenvolvido em defesa da cultura brasileira e do país.

São depoimentos diferentes, mas que convergem para uma mesma avaliação: a cultura não seria, para Jandira, uma pauta circunstancial de campanha.

A candidata realizou o encontro da Cultura com Jandira e Benedita em 28 de julho no Teatro Casa Grande

Uma relação que passa pela política pública

Essa percepção tem uma explicação concreta.

Jandira esteve no centro da articulação parlamentar que resultou nas leis Aldir Blanc e Paulo Gustavo, criadas em um dos momentos mais dramáticos para o setor cultural brasileiro: a pandemia de Covid-19.

Entre os depoimentos, o de Bruno Garcia talvez seja um dos que mais explicitamente traduzem essa dimensão política.

“Jandira é um quadro absurdamente único, fundamental e extraordinário para a cultura e todo o ecossistema que a envolve. A presença dela no parlamento durante a pandemia foi fundamental para salvar pessoas, combatendo um governo e um congresso antipovo”.

Com teatros fechados, cinemas interrompidos, shows cancelados e uma enorme cadeia de trabalhadores sem renda, a disputa pela manutenção de recursos públicos para o setor deixou de ser uma questão corporativa e passou a representar, para milhares de profissionais, uma questão de sobrevivência.

Posteriormente, Jandira tornou-se autora da Política Nacional Aldir Blanc, que estabeleceu um mecanismo permanente de financiamento cultural.

É nesse ponto que a relação entre a deputada e os artistas ganha uma dimensão que vai além da afinidade política. Para produtores, técnicos, gestores, artistas e trabalhadores da cultura, políticas públicas podem determinar se um projeto será realizado ou interrompido, se uma escola funcionará ou fechará, se uma companhia continuará existindo ou desaparecerá.

A candidata realizou o encontro da Cultura com Jandira e Benedita em 28 de julho no Teatro Casa Grande

A cultura vista como política de desenvolvimento

Se a cultura ocupa o palco, a ciência e a defesa do Estado nacional garantem a estrutura do camarote. A campanha de Jandira atrai intelectuais e cientistas que veem na sua reeleição uma barreira contra o desmonte institucional.

O apoio de Márcio Girão, engenheiro e presidente da Confederação Nacional da Indústria e Comércio (Contic), amplia ainda mais esse campo de interlocução.

Girão destaca a atuação de Jandira na ciência e tecnologia e afirma que ela honra o mandato ao compreender os problemas estratégicos do país. A declaração ajuda a desmontar uma divisão artificial entre cultura, ciência, saúde e desenvolvimento.

Essa mesma visão aparece na manifestação de Arthur Custódio, coordenador do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan). Ao apoiar Jandira, ele chama atenção para a necessidade de fortalecer a saúde e, simultaneamente, enfrentar seus determinantes sociais.

A própria trajetória da deputada contribui para essa convergência. Médica de formação, Jandira construiu sua atuação parlamentar articulando saúde, direitos sociais, democracia, cultura e políticas públicas.

Artistas como testemunhas de uma trajetória

Jandira tem enorme honra do “apoio babilônico” do carnavalesco Milton Cunha. Para ele, o nome dela é sinônimo de excelência. Ele também recordou como o debate sobre as leis que protegeram artistas na pandemia se tornaram política de estado, desde então. “Jandira, você é o máximo, é gloriosa, nós somos seus fãs, e precisamos da sua voz”.

Carlinhos de Jesus, por sua vez, combina a dimensão pessoal e política. Ao declarar apoio à “minha deputada federal”, ressalta a amizade de muitos anos, mas principalmente a coragem, a inteligência e a disposição de Jandira para enfrentar aquilo que considera prejudicial ao país.

A manifestação é reveladora porque parte de um dos principais nomes da dança e do samba no Brasil. A cultura popular aparece, assim, não como cenário de campanha, mas como espaço de reconhecimento político.

O comediante Alamo Facó, ao analisar o orgulho que a deputada inspira na luta pela dignidade do brasileiro, arremata com uma metáfora que define a essência dessa campanha: “Temos que manter Jandira sempre em alguma posição de poder, decisão e caneta para coisas importantes para nosso país. Jandira significa a abelha que dá mel”.

Uma rede que chega à soberania nacional

A composição dos apoios não se restringe ao universo artístico.

O antropólogo Luiz Eduardo Soares apresenta Jandira como uma referência em um momento que considera dramático para o país, marcado, em sua avaliação, por ameaças à soberania brasileira. Sua defesa é direta: considera importante que a deputada continue no Congresso.

O geólogo Guilherme Estrella, ex-diretor da Petrobras, segue caminho semelhante ao destacar a dedicação de Jandira ao povo brasileiro e aos interesses nacionais.

São manifestações que ampliam o significado da campanha. A deputada não é apresentada apenas como uma representante da cultura, mas como uma parlamentar cuja atuação transita por diferentes temas estratégicos.

Mais que um casting eleitoral

O que emerge desse conjunto de depoimentos é uma característica incomum em campanhas eleitorais: os artistas não aparecem somente como celebridades emprestando prestígio a uma candidatura.

Eles procuram explicar por que consideram importante a permanência de Jandira no Parlamento.

Isso diferencia uma fotografia de campanha de uma rede política construída ao longo do tempo. Gilberto Gil fala de décadas de dedicação; Carlinhos de Jesus evoca uma amizade antiga; Dalal Achcar relaciona seu apoio à atuação pela arte; Bruno Garcia destaca a batalha pela cultura durante a pandemia; Fernanda Abreu chama atenção para a representação feminina; Camila Pitanga fala em gratidão.

Há, portanto, uma espécie de memória coletiva por trás das declarações.

A campanha cultural de Jandira se sustenta menos na lógica do “artista famoso pede voto” e mais na ideia de que diferentes segmentos da sociedade encontraram, em determinados momentos, uma parlamentar disposta a transformar suas reivindicações em disputa institucional.

A política que continua quando o palco se apaga

Esse talvez seja o principal significado da rede que se forma em torno da candidatura.

A cultura costuma ganhar visibilidade eleitoral quando oferece palanque, música, imagem e popularidade. No caso de Jandira, os depoimentos procuram destacar outro aspecto: a política cultural como instrumento de cidadania, desenvolvimento e democracia.

É como se a campanha tivesse construído sua própria roda de conversa: diferentes gerações e expressões artísticas, ao lado de intelectuais, profissionais da ciência, saúde e energia, convergindo em torno de uma mesma ideia.

A de que cultura, democracia, soberania, direitos sociais e desenvolvimento não são agendas separadas — e de que o Congresso precisa ter representantes preparados para fazer essa conexão.

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