Cezinha falou sobre processo no STF diretamente com Nunes Marques, diz inquérito de Dino

Ministro Kassio Nunes Marques
Ministro Kassio Nunes Marques. Foto: Reprodução

Mensagens obtidas pela Polícia Federal indicam que o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) relatou uma interlocução direta com o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), para discutir um processo que tramitava na Corte. O ministro Flávio Dino citou os diálogos ao autorizar buscas e apreensões contra o parlamentar e outros investigados.

Um dos episódios envolve a Reclamação 76.831. A advogada Mariângela Fialek, chamada de “Tuca” nas conversas, enviou informações sobre o caso a Cezinha, que respondeu: “Já falei ontem com Andre e Antonio Carlos sobre esse tema.” Em seguida, ele afirmou que seria recebido por Nunes Marques às 16h e confirmou que o encontro seria com o ministro.

Nas mensagens destacadas na decisão, o deputado escreveu: “Ai vou pedi a ele” e, depois, “Foi até bom que ele vai ver se de fato eu preciso pedir expressamente”. Para Dino, as expressões indicam, em análise preliminar, que Cezinha não se limitava ao encaminhamento de peças processuais e se dispunha a fazer um pedido pessoal ao julgador em benefício das partes.

A PF cumpriu os mandados na segunda-feira (14), em São Paulo e no Distrito Federal. A investigação apura suspeitas de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo a atuação atribuída ao parlamentar, aliado de André Mendonça e apontado como elo entre o ministro e Daniel Vorcaro.

Cezinha de Madureira e André Mendonça na Marcha para Jesus. Foto: reprodução

Contratos com pagamento por êxito embasam apuração da PF

Os investigadores também analisam contratos de honorários e cessões de crédito ligados ao sucesso de ações judiciais. A decisão cita negócios que previam pagamentos de R$ 500 mil, R$ 1 milhão e até R$ 2 milhões em caso de resultados favoráveis.

Para a PF, a remuneração condicionada ao êxito das causas, somada às mensagens sobre contatos com integrantes de tribunais superiores, sustenta a apuração sobre uma possível comercialização de influência. Os diálogos apontam que Mariângela enviava processos, memoriais e informações, enquanto Cezinha dizia ter “falado”, “despachado” ou “pedido” em relação aos casos.

Dino ressaltou que Nunes Marques não é investigado e que os elementos reunidos não apontam irregularidade praticada pelo ministro. A ressalva também alcança outros integrantes do Judiciário mencionados nas conversas, já que receber parlamentares, advogados e memoriais integra a atividade institucional dos magistrados.

A PF pediu acesso aos dispositivos eletrônicos de Cezinha para identificar os contatos citados nas mensagens e esclarecer o alcance das interlocuções. Ao autorizar as diligências, Dino afirmou que as “fundadas razões” para as buscas estavam “fartamente demonstradas”; a polícia disse não ter encontrado, até o momento, indícios de participação de integrantes do Judiciário nos crimes apurados.

Artigo Anterior

Gilmar Mendes quer que Fachin assuma casos do Master; entenda

Próximo Artigo

Observatório do Master: o encontro Cezinha-Mendonça-Vorcaro

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!