Após diagnóstico de câncer, Cacique Raoni recebe cuidados paliativos

Cacique Raoni no território Kayapó, em São José do Xingu (MT). Foto: Kamikia Kisêdjê/Amazônia Real

O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, recebe cuidados paliativos após o diagnóstico de câncer no aparelho digestório, informou o Instituto Raoni nesta segunda-feira (14). A entidade afirmou que a idade avançada e problemas de saúde anteriores dificultam a adoção de tratamentos com objetivo curativo. Com informações de noticias.uol.com.br.

Raoni passou por uma sequência de internações entre maio e julho. Os médicos confirmaram o câncer em 20 de junho, quando o líder indígena foi submetido a uma gastroenteroanastomose por videolaparoscopia.

O procedimento criou uma nova passagem no sistema digestivo para que os alimentos contornassem a área obstruída pela tumoração. A intervenção buscou reduzir os efeitos da obstrução provocada pela doença.

No fim de julho, o cacique enfrentou uma hemorragia digestiva grave e voltou a ser internado no Hospital Regional de Peixoto de Azevedo, em Mato Grosso. A equipe médica tratou o sangramento com medidas clínicas, medicamentos e transfusões de sangue.

Instituto cita conforto, família e práticas culturais nos cuidados

Os cuidados paliativos priorizam o alívio de sintomas e do sofrimento, com foco na qualidade de vida de pessoas com doenças graves. “A prioridade é garantir que Raoni possa receber os cuidados necessários com segurança, conforto e dignidade”, disse o Instituto Raoni em nota.

A entidade também afirmou que a assistência deve permitir que o cacique permaneça perto da família, de seu povo, de sua língua e de suas referências culturais e espirituais. O comunicado cita o respeito à presença dos pajés e às práticas escolhidas por Raoni e seus familiares.

Raoni é uma das principais lideranças do povo Kayapó e ganhou reconhecimento internacional pela defesa dos povos originários, da Amazônia e da demarcação de terras indígenas. Há décadas, ele denuncia o desmatamento, a exploração ilegal de recursos naturais e outras ameaças aos territórios indígenas.

O cacique percorreu cerca de 20 países para defender a proteção da floresta e os direitos indígenas. Sua trajetória ganhou projeção mundial a partir dos anos 1980, quando participou de viagens com o cantor britânico Sting, e inspirou o documentário “Raoni”, lançado em 1978 e indicado ao Oscar de melhor documentário no ano seguinte.

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