
A coordenadora do núcleo econômico da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Daniella Marques, defendeu nesta segunda-feira (14) um ajuste rápido das contas públicas, redução de impostos e burocracia e a recuperação da confiança do mercado em um eventual governo do candidato. Durante o seminário Brasil Hoje, promovido pela Esfera em São Paulo, ela afirmou que o objetivo seria “botar as contas no azul” para criar condições para a redução dos juros. A agenda apresentada repete pontos centrais da política econômica associada ao presidente argentino Javier Milei.
“Quem não cuida das contas, não cuida das pessoas. Então, a gente vai focar em botar as contas no azul para que se permita que haja redução de juros no Brasil”, afirmou Daniella. Ela também citou Henrique Meirelles como “um ótimo exemplo” e defendeu a redução da burocracia e dos impostos. Em outra intervenção no evento, a economista falou em um “ajuste rápido” das contas públicas e disse que a campanha pretende aprimorar o atual arcabouço fiscal.
Daniella também atacou a política externa do governo Lula. Segundo ela, “o Brasil hoje está isolado” e teria perdido credibilidade no mercado externo. A coordenadora afirmou que um governo Flávio Bolsonaro buscaria diálogo com China, Estados Unidos e Europa e tentaria fortalecer a posição do país no exterior.
🇧🇷🇦🇷 O programa econômico de Milei será adotado pelo Brasil caso Flávio Bolsonaro seja eleito em 2026, diz sua coordenadora econômica, Daniella Marques. Mesmo com o neoliberalismo de Milei destruindo a economia argentina, Bolsonaro quer seguir a cartilha. pic.twitter.com/BojWQY25ob
— Análise Geopolítica (@AnaliseGeopol) September 14, 2026
Em junho, Flávio Bolsonaro exaltou Milei, disse que os brasileiros olhavam para países vizinhos com “um pouco de inveja” e afirmou esperar que o Brasil terminasse “como vocês hoje”. Um mês depois, Milei participou da convenção que oficializou a candidatura do senador, onde Flávio Bolsonaro empunhou uma tesoura gigante para simbolizar cortes de gastos, numa adaptação da motosserra usada pelo argentino em sua campanha.
Os números da Argentina, porém, mostram o custo econômico e social do modelo elogiado por Flávio Bolsonaro. A produção industrial caiu 5% em julho, o desemprego chegou a 7,8% no primeiro trimestre de 2026 e cerca de 40 mil empregos públicos haviam sido eliminados até o início de 2025. Milei também reduziu o número de ministérios de 18 para oito, congelou contratações e cortou subsídios e outras despesas.
A pobreza saltou de 41,7% da população no segundo semestre de 2023 para 52,9% no primeiro semestre de 2024, após a desvalorização do peso e as primeiras medidas de austeridade. A desigualdade também aumentou: o coeficiente de Gini passou de 0,435 no primeiro trimestre de 2025 para 0,442 no mesmo período deste ano. A inflação mensal recuou para 1,7% em agosto, mas a melhora do índice veio acompanhada da retração da indústria, do desemprego elevado e da deterioração dos indicadores sociais.
O encarecimento da alimentação ganhou uma imagem concreta em Trelew, na Patagônia. Em abril, carne de burro começou a ser vendida por cerca de 7.500 pesos o quilo, enquanto alguns cortes bovinos superavam 25 mil pesos. Cerca de 500 quilos foram vendidos em apenas dois dias. O governo Milei alegou que se tratava de uma experiência comercial isolada, e não de uma substituição generalizada da carne bovina.