
A Polícia Federal atribuiu ao empresário Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, participação direta nas operações investigadas entre a instituição e o BRB. Relatórios da corporação apontam “participação dolosa” e “manifesta autoridade” de Lima em negociações que envolvem créditos cedidos ao banco público de Brasília entre 2024 e 2025.
Parte dos documentos do caso Master tornou-se pública após a retirada do sigilo de trechos da investigação. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, determinou que o ministro André Mendonça, relator dos inquéritos, analisasse a divulgação do material.
Para os investigadores, conversas entre Lima e Daniel Vorcaro, dono do Master, indicam que o ex-sócio supervisionou documentos relacionados à cessão de créditos da Tirreno ao Master e, depois, ao BRB. A primeira aparece na apuração como empresa que teria originado créditos transferidos ao banco brasiliense.
Em um dos diálogos analisados, Lima enviou uma tabela sobre créditos cedidos ao BRB. A PF afirma que o lastro descrito no documento coincide com a suspeita de fraude atribuída à Tirreno, estimada em R$ 12,2 bilhões. As tranches listadas, firmadas de 26 de dezembro de 2024 a 5 de maio de 2025, somariam cerca de R$ 12 bilhões, conforme o relatório.

Relatório cita ordens sobre carteiras e documentos
A investigação também descreve orientações de Vorcaro e Lima para a produção em larga escala de documentos falsos. O procedimento incluiria a seleção de CPFs e a falsificação de procurações de pessoas apresentadas como contratantes de empréstimos que seriam posteriormente cedidos ao BRB.
Quando o BRB passou a substituir ativos após cobranças do Banco Central por falta de lastro, Lima ordenou a um funcionário do Master que não enviasse amostras das carteiras. O empregado informou que precisava falar antes com o empresário, mesmo diante de uma determinação de Vorcaro, situação que a PF apontou como indício de sua ingerência nas atividades do Master e da Tirreno.
O relatório registra que, em 26 de junho de 2025, Lima ainda teria “grau elevado de ingerência” nas operações do Master, com autoridade para se opor a ordens de Vorcaro. Em outra conversa, após um tesoureiro avisar que uma equipe do BRB iria ao banco para conciliar valores e apurar diferenças, Lima respondeu: “Venha aqui para alinhar”.
A PF afirma que a Credcesta, empresa de cartão consignado controlada por Lima, teria participação na origem de ao menos parte dos créditos cedidos ao BRB. Os investigadores também mencionam pagamentos do Master à Terra Firma da Bahia, empresa do grupo do empresário: R$ 3,6 milhões em julho de 2024, R$ 3,3 milhões em abril de 2025 e R$ 3,6 milhões em maio de 2025.
A defesa de Augusto Lima negou as suspeitas e afirmou que ele deixou a sociedade e a direção do Banco Master em 28 de maio de 2024. “Augusto Lima jamais tratou com qualquer representante do BRB sobre supostas carteiras falsas e não participou das negociações”, disse. Os advogados sustentam que os pagamentos citados decorreram de contratos regulares de prestação de serviços e que a inocência do empresário será comprovada.