Lula ainda lidera no 1° turno, mas Flávio Bolsonaro assume vantagem numérica no 2º, diz Quaest

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro
Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua na liderança da disputa presidencial, mas a distância para Flávio Bolsonaro (PL) caiu ao menor nível já registrado pela série histórica da Quaest. Segundo os números divulgados nesta segunda-feira (14) pelo cientista político Felipe Nunes, diretor do instituto, Lula tem 36% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% do senador.

A vantagem do petista, portanto, é de cinco pontos percentuais. Na pesquisa anterior, divulgada em 7 de setembro, Lula também aparecia com 36%, enquanto Flávio tinha 29%. O presidente permaneceu estável, mas o herdeiro político de Jair Bolsonaro ganhou dois pontos em uma semana e encurtou a diferença.

Augusto Cury (Avante) aparece isolado na terceira posição, com 7%. Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) têm 4% cada, enquanto Romeu Zema (Novo) marca 1%. Outros 10% ainda não decidiram em quem votar e 7% afirmam que votarão em branco, anularão o voto ou não comparecerão.

Os candidatos de oposição, somados, chegam a 47%, contra 36% de Lula. Essa conta não permite antecipar o resultado de um eventual segundo turno, já que os votos dos demais concorrentes não são transferidos automaticamente para Flávio. Ela mostra, porém, que o presidente continua distante de uma vitória na primeira etapa e dependerá de ampliar sua votação durante as três semanas finais da campanha.

A movimentação recente reforça o sinal de alerta. Em 14 de agosto, Lula tinha 38% e Flávio, 31%, uma diferença de sete pontos. Em 2 de setembro, o placar passou a 37% a 30%. Cinco dias depois, ficou em 36% a 29%. Agora, com o presidente estacionado e o senador novamente em crescimento, a distância caiu para cinco pontos.

Gráfico de intenção de voto para Presidente no 1° turno. Foto: Divulgação

Flávio passa à frente no segundo turno

O cenário mais apertado aparece na simulação de segundo turno. Flávio Bolsonaro alcançou 42%, enquanto Lula recuou para 40%. Como a diferença é de apenas dois pontos, o resultado representa empate técnico, e não uma liderança estatisticamente assegurada do candidato do PL.

A mudança numérica, contudo, tem peso político. Na rodada anterior, Lula e Flávio estavam empatados em 41%. Em 2 de setembro, o presidente tinha 42%, contra 41% do adversário. Em agosto, o petista ainda aparecia à frente por 43% a 40%.

Em um mês, portanto, Lula perdeu três pontos e Flávio ganhou dois nessa simulação. A diferença, que era favorável ao presidente por três pontos, passou a favorecer numericamente o bolsonarista por dois — uma mudança de cinco pontos no saldo entre os candidatos.

O resultado de 42% a 40% repete o placar registrado em abril de 2026, antes do vazamento do áudio que revelou uma conversa entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Embora o caso tenha produzido desgaste, novas revelações e mudanças de versão do senador, a pesquisa indica que o episódio, até agora, não impediu sua recuperação eleitoral.

No segundo turno, 13% dizem que não votariam em nenhum dos dois, e 5% continuam indecisos. Esse contingente de 18% representa mais do que o suficiente para decidir a eleição. Com bases ideológicas aparentemente consolidadas, a disputa tende a se concentrar justamente nos eleitores que rejeitam os dois polos ou que ainda não definiram o voto.

Gráfico de intenção de voto para Presidente no 2° turno. Foto: Divulgação

Avanço entre mulheres contraria histórico bolsonarista

Um dos movimentos destacados por Felipe Nunes é o desempenho de Flávio entre as mulheres. O resultado é considerado surpreendente porque o eleitorado feminino foi um dos principais focos de resistência a Jair Bolsonaro, especialmente depois da pandemia de Covid-19 e da política de flexibilização do acesso a armas adotada durante seu governo.

A capacidade de Flávio de reduzir essa rejeição pode indicar que parte das eleitoras não transfere automaticamente ao filho todos os desgastes acumulados pelo ex-presidente. Também sugere que a campanha de Lula enfrenta dificuldades para reativar, contra Flávio, o mesmo voto defensivo que teve papel relevante na eleição de 2022.

Isso não significa que o bolsonarista tenha conquistado de forma definitiva esse segmento. Os recortes internos de uma pesquisa possuem margens de erro maiores que a da amostra nacional. Ainda assim, o desempenho elevado entre mulheres enfraquece uma das vantagens eleitorais tradicionalmente atribuídas ao campo progressista.

Gráfico de intenção de voto para Presidente no 2° turno por sexo. Foto: Divulgação

Sudeste vira problema central para Lula

O dado regional mais duro para o Planalto está no Sudeste. Segundo Nunes, a diferença entre Flávio e Lula na região, que já foi de apenas dois pontos, transformou-se em uma vantagem de 16 pontos para o candidato do PL.

O Sudeste concentra São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo e reúne a maior parcela do eleitorado brasileiro. Uma desvantagem dessa dimensão não pode ser compensada apenas pelo domínio de Lula no Nordeste. Para vencer, o presidente precisa ao menos limitar as perdas nos grandes colégios eleitorais do Sudeste, especialmente em São Paulo e Minas.

A pesquisa anterior da Quaest já mostrava deterioração da avaliação do governo na região. A desaprovação de Lula no Sudeste havia passado de 50% para 56% entre julho e o início de setembro. A nova diferença eleitoral sugere que esse desgaste começa a se converter em voto no principal adversário.

Renda média também se afasta do governo

Gráfico de intenção de voto para Presidente no 2° turno por renda familiar. Foto: Divulgação

Flávio também passou a liderar por dez pontos entre os eleitores que recebem de dois a cinco salários mínimos. O resultado expõe um paradoxo para o governo: trata-se de uma faixa beneficiada por políticas de valorização da renda, ampliação do crédito, renegociação de dívidas e programas sociais, mas que não está traduzindo esses ganhos em apoio eleitoral a Lula.

Uma explicação aparece na própria análise recente da Quaest sobre a percepção econômica. Embora 64% dos entrevistados tenham reconhecido algum crescimento da renda no último ano, apenas 10% disseram que seus ganhos aumentaram acima do custo de vida. Ou seja, receber mais não significa necessariamente sentir melhora no poder de compra.

Nesse ambiente, inflação percebida, endividamento e despesas cotidianas podem pesar mais no voto do que indicadores macroeconômicos positivos. Flávio tenta ocupar esse espaço apresentando-se como candidato da mudança, enquanto Lula precisa convencer eleitores insatisfeitos com a experiência concreta do governo a renovar seu mandato.

A pesquisa mantém Lula na frente e ainda não autoriza afirmar que Flávio seja favorito. Mas a combinação de menor distância no primeiro turno, inversão numérica no segundo, avanço no Sudeste e competitividade entre mulheres e eleitores de renda média revela uma disputa mais perigosa para o presidente.

A postagem de Felipe Nunes com os novos resultados não apresentou a ficha técnica completa da rodada, como período de entrevistas, tamanho da amostra, margem de erro e número de registro no Tribunal Superior Eleitoral. Essas informações devem ser acrescentadas assim que o relatório integral da Quaest for disponibilizado.

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