
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) cobraram no domingo (13), em ato na Avenida Paulista, o aprofundamento das investigações sobre o Banco Master e citaram menções ao ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto em depoimentos do inquérito que envolve o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Alckmin afirmou a jornalistas que o Judiciário deve avançar na apuração. “O Banco Master foi criado no governo Bolsonaro, o Vorcaro virou banqueiro no governo Bolsonaro e foi no nosso governo que o Banco Master foi fechado por roubalheira corrupção, com o Vorcaro sendo preso. Esse é o fato”, disse o vice-presidente.
O nome de Campos Neto apareceu em depoimentos tornados públicos na sexta-feira (11). Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, declarou que o então presidente da instituição soube, em 2024, de operações suspeitas do Master que buscariam elevar artificialmente a liquidez do banco para captar recursos cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito.
Segundo o relato de Souza, o caso chegou ao Ministério Público Federal em outubro de 2025. Haddad disse que tomou conhecimento do problema quando Campos Neto deixou o Banco Central e Gabriel Galípolo, indicado por Lula, assumiu o comando da autoridade monetária.

Haddad diz que Banco Central foi alertado em 2024
Haddad afirmou que atores do mercado financeiro alertaram Campos Neto por mais de um ano sobre movimentações consideradas estranhas no Master. “E, segundo esses depoimentos, esses alertas foram ignorados. Isso não foi dito clandestinamente. Isso me foi dito em audiência marcada no meu gabinete”, declarou.
O petista também disse ter informações de que o Fundo Garantidor de Crédito e representantes relevantes do mercado financeiro fizeram alertas oficiais ao Banco Central durante 2024. Ele criticou o fato de Campos Neto ainda não ter prestado um depoimento aprofundado no caso.
Em discurso para apoiadores, Haddad defendeu a retirada de todos os sigilos relacionados a Vorcaro e pediu transparência sobre as relações do ex-banqueiro. Ele afirmou que a abertura dos dados dos celulares de Vorcaro poderia esclarecer conexões políticas e financeiras investigadas.
Questionado sobre Alexandre de Moraes, ministro do STF que aparece em mensagens trocadas com Vorcaro, reveladas em relatórios da Polícia Federal, Haddad evitou comentar se Lula e aliados deveriam se afastar do magistrado. Campos Neto e o Nubank foram procurados para comentar as menções nos depoimentos, mas não haviam respondido até a publicação da reportagem.