Rastro de verba pública para filme de Bolsonaro passa por empresa sediada em loja de noivas; entenda

Mário Frias no set de Dark Horse ao lado de Jim Caviezel. Foto: Divulgação

A Polícia Federal apontou que o Instituto Super Poder Educacional, citado na investigação sobre repasses à produtora Go Up Entertainment, do filme “Dark Horse”, está registrado em um endereço de Guarulhos, na Grande São Paulo, onde funciona uma loja de vestidos de noiva. A apuração envolve recursos públicos que teriam chegado à empresa responsável pela obra sobre Jair Bolsonaro.

O instituto consta desde 2023 nos cadastros da Receita Federal e da Junta Comercial de São Paulo em uma sala da avenida Doutor Timóteo Penteado, no bairro Vila Hulda. Um atendente da loja instalada no local afirmou que o estabelecimento vende vestidos de noiva e roupas de festa há ao menos três anos e meio e não tem ligação com a empresa investigada.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou na quinta-feira (10) a operação da PF que apura um suposto esquema envolvendo verbas federais e municipais. A investigação examina contratos firmados com o Instituto Conhecer Brasil, organização da empresária Karina Ferreira Gama, também dona da Go Up Entertainment.

Fachada da loja Maison Fiancée em Guarulhos
Fachada da loja Maison Fiancée, em Guarulhos. Foto: Rafaela Araújo/Folhapress

PF rastreia transferências entre empresas e produtora

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) destinou R$ 1 milhão em emendas para ações do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação voltadas ao “letramento digital e empreendedorismo para capacitar adultos e adolescentes”. Em outro contrato, o Instituto Conhecer Brasil recebeu R$ 108 milhões da Prefeitura de São Paulo para a oferta de pontos de wi-fi em bairros periféricos.

No convênio federal, o Instituto Conhecer Brasil subcontratou a Dinâmica Editora e Distribuidora, sediada em Rio Claro, e o Instituto Super Poder Educacional. As duas empresas receberam, juntas, R$ 700 mil entre fevereiro e março de 2025.

A PF afirma que a Dinâmica pertence a Dayvid Moreira Medeiros, que responde a processo por suspeita de fraude em licitação na Paraíba. A sócia da Super Poder Educacional é Pamella Cristina Dias, que atua como coordenadora editorial da HD Cultural, empresa que tem Medeiros como sócio.

Segundo a decisão de Dino, a polícia investiga se os valores recebidos pelas empresas foram transferidos à Go Up por meio da NTT Brasil, pertencente a Heric Fabiano Dias, irmão de Pamella. Entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, a NTT Brasil enviou R$ 750 mil à produtora, durante as filmagens de “Dark Horse” em São Paulo.

A decisão também registra que Frias transferiu R$ 645 mil diretamente à produtora no mesmo período. A PF apontou possível incompatibilidade entre os valores movimentados e a renda declarada pelo deputado, de R$ 44 mil. Karina Gama negou irregularidades, enquanto Frias classificou a operação como “cortina de fumaça”. Pamella Dias e Dayvid Moreira Medeiros não responderam aos contatos.

“Dark Horse” trata do atentado contra Jair Bolsonaro na campanha eleitoral de 2018. Áudios divulgados pelo site The Intercept indicaram que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, pediu recursos a Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção; em outro inquérito, a PF apura se parte dos recursos investigados seguiu para os Estados Unidos para custear despesas de Eduardo Bolsonaro.

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