
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou indícios de que o deputado federal Mario Frias (PL-SP) pode ter ocupado posição de liderança em um suposto esquema de desvio e ocultação de recursos públicos. Neste domingo (13), Dino retirou o sigilo de documentos enviados pela Justiça de São Paulo e reuniu sob sua relatoria os inquéritos ligados ao caso.
Na decisão, o ministro registrou que há menções recorrentes ao parlamentar no percurso investigado. “Há a alusão reiterada, no itinerário delituoso, a um deputado federal, o Sr. Mario Frias, que no terreno hipotético da investigação ocuparia um papel de liderança na suposta arquitetura criminosa”, escreveu.
A apuração envolve recursos federais de emendas parlamentares e verbas municipais repassadas por termos firmados com a Prefeitura de São Paulo. A Polícia Federal também investiga a hipótese de que parte dos valores tenha financiado a cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Ao determinar a unificação, Dino acolheu o entendimento da PF de que as investigações estadual e federal tratam de um mesmo conjunto de fatos. Para os investigadores, manter procedimentos paralelos poderia prejudicar a elucidação de uma estrutura que teria captado, movimentado e ocultado verbas públicas.

As representações policiais citadas na decisão indicam que a Complexsys Soluções Integradas Ltda., contratada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB) para executar projetos com recursos públicos, recebeu transferências diretas de Mario Frias. A empresa também devolveu valores ao ICB e enviou quantias à Academia Nacional de Cultura (ANC).
A ANC era administrada por Karina Ferreira da Gama, que também geria o ICB e atuou como produtora de “Dark Horse”. A PF afirmou que essa movimentação não se ajusta a relações comerciais independentes e classificou o fluxo como um “circuito financeiro fechado”, voltado à circulação, fragmentação e reintrodução de valores entre integrantes de um mesmo núcleo.
Os dados de inteligência financeira ainda apontaram remessas de Frias à Go Up Entertainment Ltda., empresa de Karina Gama, em valores que a PF considera incompatíveis com os rendimentos declarados pelo deputado e com a movimentação habitual de suas contas. Os investigadores sustentam que esse elemento pode afastá-lo da condição de simples autor de emendas posteriormente desviadas por terceiros.
A Operação Wi-Fi, da Polícia Civil de São Paulo, também identificou indícios de confusão patrimonial entre o ICB, a Go Up Entertainment e a G07 Assessoria, que funcionavam formalmente no mesmo endereço na Avenida Paulista. Peritos e delegados encontraram faturas emitidas em sequência, na mesma data e com vencimentos idênticos, além de notas fiscais de R$ 2 milhões canceladas logo após a emissão na Fazenda municipal. Na quinta-feira (10), Frias negou irregularidades, chamou a operação de “cortina de fumaça”, disse que entregaria documentos e afirmou esperar o arquivamento do caso.